Retalhos

Estava cá eu pensando no que é a vida com fantasmas travestidos de pessoas ao nosso redor, e como tudo muda sem darmos conta que tudo mudou. Para quem quer que esteja pensando que escrevo sobre eles, esse eu fiz por vocês. São só retalhos que lhes mando, retalhos de amor, de uma parte dos meus sonhos. Como uma lembrança boa, um sopro de vida. Uma peça de teatro. A minha alma é um eterno reflexo daquilo que meus olhos esquecem de enxergar. Nela cabe um broche, uma agulha de tricô, um trecho de carta, um adeus que não soube se perder, um grito no espaço, um tiro no escuro, um amor indivisivel e quieto. Cinza. Cabe a vida que eu tento viver. Cabe um pensamento seu, o mundo como ele é, estranho do jeito que é. Surgido do incompreensivel e tão simples de sê-lo. Eu rabisco desenhos de galáxias distantes, no ato mecânico (e mágico) de criar arte. Onde nada se perde, nem mesmo na destruição. Eu sou o arquiteto da minha própria destruição, e o engenheiro da minha chance de luz. O meu espírito é tão forte, que resiste aos impulsos e às tentações do mundo, a vida e a morte diariamente. No momento do sono simulo a minha morte, e renasço todos os dias pela manhã. A minha alma é tão frágil, onde ponho tudo a perder, como se eu estivesse num casino e apostasse todas as fichas num jogo que já perdi. O que sobra do amor são só retalhos. Só retalhos.

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Teatro?

Não acho que todos que estão se manifestando pelas redes sociais estejam seguindo uma ‘modinha’ só pra bancar o politicamente correto com relação a esses protestos recentes. Toda forma de protesto é válida, se souber ser usada da forma correta. A nossa geração nunca teve a oportunidade de promover um evento desse tamanho, o que nós temos é a lembrança do Fernando Collor sendo tirado da presidência da república. E só. Não é por causa dos 0,20 centavos, não é pela foto do instagram com a bandeira do Brasil. É por algo que incomoda todos nós a muito tempo, a corrupção dos governos, seja ele federal ou estadual, até mesmo municipal. A denúncia dos corruptos do mensalão foi talvez o primeiro passo pra haver essa onda de reinvidicações. O aumento na passagem do ‘transporte público’ foi a ponta do iceberg, mas foi suficiente pra milhões de pessoas irem às ruas e reinividicar os seus direitos. É ridículo gastar bilhões com estádios que mal vão ser utilizados, quando eu vejo um mendigo na rua, um morador de rua dormindo na calçada a poucos passos de mim, quando vejo a fila de um hospital supostamente público transbordando de pessoas precisando de um tratamento, quando eu vejo milhões de pessoas passando fome pelo Brasil inteiro, não só no nordeste, quando vejo quão sortudo eu fui, por ter tido a chance de estudar numa escola conceituada e que me permitisse chegar até onde eu cheguei, visto que a Educação no Brasil precisa de melhorias urgentes. O povo pode ter acordado, mas o meu imenso medo é que tudo continue do jeito que está, e que tudo isso seja só mais um fantoche no teatro da história do nosso país.