Zwei

Quero tapar os vazios que você e todas as outras deixaram. Tornei-me vazio, como um copo depois de um shot num balcão de bar. Fica tudo registrado, como numa folha antiga escrita com nanquim. Você não existe mais como eu gostaria que fosse. Te procuro em outros corpos, outros beijos e outras faces. Tento fugir para lugares distantes, mas ainda não cheguei aonde queria chegar. Não tenho vergonha em dizer. Seu sorriso discreto, suas bochechas que ficavam rosas facilmente, teu colo, teu olhar, teu chamego, teu abraço. Tudo isso misturado com o som da sua voz era uma viagem no tempo. Pra um lugar onde nenhum de nós sabia, mas na mesma direção. Eu que não tinha nada e nunca havia tido ninguém, tive você. Te perdi como um pássaro que foge da gaiola por não poder mais voar e cantar em paz. Não tenho vergonha de me lembrar com saudade e me despedir outra vez. Muito menos receio. Tenho vergonha por esta descrença, por essa falta de sentimentos. Por esse medo de acreditar no amor mais uma vez. Construí uma barreira que acabou se tornando um castelo, do qual não consegui mais fugir. Depois de tanto tempo, o teu efeito não é mais alucinante, porém ainda é mágico sobre mim. Como uma droga que invade o sistema nervoso central e causa dependência psíquica. Manter contato contigo era tóxico para mim e para ti, tentar um novo começo. Um veneno que eu injetava diariamente e até hoje não encontrei o antídoto certo. Tomei vários coquetéis na veia com a esperança que um deles me trouxesse você de volta. Você não olhou para trás, nem eu, quando te deixei partir. O seu medo me dava medo. Medo de se entregar completamente, como eu me entreguei. Quando penso em ti, sorrio. Aparece uma motivação de ser uma pessoa melhor para mim e para os outros. Num futuro próximo, não nos veremos mais, e me sinto tão pleno de si. Dono do mundo, e também um grão de areia que voa com o vento. Leve e sem direção. Micro partícula formada há 1.000.000 de anos atrás. Talvez mais. Na minha eterna busca, eu tentei me curar e tentei curar outras pessoas. Acabei ferindo mais a mim mesmo, como um corte que sangra sem perceber e infecciona. Procuro alguém que queira viajar comigo. Viajar pro lugar que um dia nós queríamos tanto conhecer. Eu que fiz tantos planos malucos, hoje não sei do que será composto o futuro. Você que dizia que eu sempre sabia usar as palavras certas na hora certa, não saberia dizer. A areia que desce da ampulheta deixou todos flutuarem para baixo, e o tempo se foi para mim. Não sei se me perdi ou foi ele que não encontrou nenhum de nós dois. Logo eu, que sempre fui tão pontual. Perdi o horário. Te entendo como ninguém, mas isso nunca foi o suficiente. Sempre vou entender seus impulsos nem sempre lúdicos. Gostava de ti porque tirava o meu sossego, me dava medo, me surpreendia de todas as formas possíveis. O inverno está chegando e os lugares que passeávamos continuam os mesmos, mas a minha câmera mudou. Vou tirar foto do que se perdeu, do que um dia foi bonito, do que não volta mais. Com foco e filtros diferentes. Prepara teu casaco azul.

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Tão só, e só somente

. Eu sou. A solidão é a minha melhor amiga, e o silêncio não precisa mais ser convidado. Já é da casa. Meu mundo gira como gira para todos os outros, mas parece que para mim ele gira de forma reversa. Meu sono é pesado, e costumo sonhar sempre. Os sonhos me ferem sem que eu perceba. Sonham os sonhos, sem que eu queira, no meu profundo inconsciente. O meu silêncio grita por socorro, e já não sei como socorrer o mal que causo a mim mesmo. A luz no fim do túnel se apaga todos os dias para mim. Tudo que vejo é uma neblina de desesperança pairando sobre os meus olhos. A morte parece ser muito pouco, um fim banal. Ninguém seguiu meus passos, ninguém observou minhas lutas, ninguém viu a minha queda. Ninguém escutou as minhas lágrimas. O que eu vivo, esse ego caos, não gostaria que fosse vivido por ninguém. O perto distante está cada vez mais longe daqui, e o caminho é confuso. Sabe-se lá como não aconteceu o pior e não me perdi. Sobre estar só, eu sei. Procuro uma saída e encontro outras portas de entrada. Penso tanto, mas o pensamento sempre volta para algum mesmo lugar. O meu sorriso diz o que não digo, diz também o que eu digo e o que eu gostaria de dizer. Meus olhos com olheiras são distantes, olham para o real, mas sabendo que o real não está realmente ali. O meu campo de visão vai além do que pode ser visto, e ninguém entenderia o motivo, então guardo para mim. Os meus sentimentos dividem-se em corações distantes daqui, um pouco em cada alma. Luz, escuridão, vida, paz, entendimento, amor e o silêncio da estrada no carinho da noite.

Tão só, e só somente. Eu sou. Tanto, e sempre.

Guerra Fria

Nessa guerra entre orgulho e saudade, tu sais vencedora nas duas. A saudade aperta no peito, mas o orgulho te recoloca numa trajetória certa. A saudade aperta em mim, mas não tenho orgulho, sigo perdido e sem trajetória. O teu silêncio é um mistério que tento descobrir, e sua voz, distante, me reconforta e ampara. Mal sabes. Agitada, reclamando e argumentando sobre seus direitos. Correta. Algumas coisas nunca mudam, e com você não seria nenhum segredo. Se o homem pisou na lua, foi lançado ao espaço, descobriu água em Marte, como é que eu ainda não tenho seu novo endereço? O silêncio às vezes não comete erros. Nessa guerra, eu aceito perder, e cada dia eu perco de novo; cada dia um pouco mais. Minha mente diz que não, mas meus olhos me entregam. Quanto mais vezes eu perco, mais vezes você ganha, e me ganha. Porque amar, não são borboletas no estômago. Amar é um soco na mente. Amar é saber perder algo para poder viver. Porque amar, é andar no caminho errado mesmo sabendo que ele não leva a lugar algum.