Dead men tell no riddles

Tenho em mim todos problemas do mundo.

 

inalei aquela fumaça que faz-me tão mal, só para ver-te tão bem. longe dos olhos da solidão, eu vi que não era ninguém. aquelas luzes escuras incumbiram-me de abraçar os enigmas da noite. faz frio e a cerveja no copo do boteco da esquina parece dar vida aos mortos. as luzes dos faróis cegam-me, já não sei para onde mais eu posso olhar. entro por aquela porta depois da descida de paralelepípedos, a caminho do caos e perto do bar. a mulher do balcão atende-me com um sorriso cheio de lascívia, os olhos dela fitam-me tentando decifrar a minha alma, sem sucesso. o tempo congelou naquele instante, como se estivesse em uma cena dos filmes de tarantino. este foi o ato II. o frio aumenta e a cerveja gelada já não faz mais efeito no meu organismo. a música psicodélica ludibria o meu cérebro e o cérebro de todos os presentes naquele ninho demoníaco. as roupas escuras revelavam curvas tendenciosas e perigosíssimas. já não tinha mais controle sobre o meu corpo, que balançava com o ritmo da música e a voz do vocalista da banda que emulava the doors. todas aquelas cores eram tão vivas, e eu só via cadáveres se movendo ao meu redor. até que me ofereceram uma bebida verde que tinha o gosto da morte. morri um pouco por dentro quando o som pareceu cada vez mais alto e chegavam cada vez mais pessoas. ato I.

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