Intangível

como a chuva que cai lá fora. Música aos ouvidos e o tempo suave que nunca mais voltou. Assim são as coisas mais bonitas da vida: intangíveis. O vento que sopra e esfria a noite, o calor humano que esquenta as manhãs mais frias. O sorriso daquela mulher quando enxerga aquele homem, espanta, arrepia. A vida vai passando sem que a gente perceba , juntando todos os cacos e coisas que julgamos ser imprescindíveis. Sem saber que tudo que digo aqui é intangível, sem motivo e sem explicação. Sem esperar que alguém leia ou ache interessante.

Intangível.

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These dreams

Lately I’m having these dreams that keep me up at night. Last night I dreamed I was a doctor and I gave birth to an unborn child, I knew the baby’s mother, whom I’ve known for years. The other night I dreamed I was driving a car on a highway with a lady I deeply loved in the past, and a vicious truck hit us and we fell off a cliff causing both of us to get killed. Today I saw her and she was dressed up entirely in black, as she was griefing; she never wears black clothes. My head got twisted up real bad, as if someone was playing games within my mind. Maybe I’m just delusional but these are the kind of dreams that keep me up until dawn. If somebody visits me tonight, let me save some time to hide my soul. Sincerely, p.

Hazy Days

“Mr. Page in canvas walks on the sidelines without making a single sound.”

The streets smell like piss and there is no place for the homeless. These hazy days make jokes of no one. Every morning feels like a nightmare, even though Page has a good life, sometimes it’s just a bless from the skies to stay inside avoiding the rain. Many cars are roaming on the sideways with motorcycles and bus just behind. Oh yeah, don’t forget the bikers and the skaters. His long time school known fellas and ladies are all set up with a made life, while he is lost in time trying to find his own directions. That makes him fucking depressive and unfaithful but he just goes on the rhythim of the tides as the wind blows his hazy days.

to be continued…

The Old Man and his Beer

Era parte da manhã quando avistei este senhorzinho sozinho sentado ali, com um copo de cerveja cheia de espuma colocado próximo ao braço direito. Eu olhei para e ele e ele me observou de volta, com aqueles olhos de lobo preocupado. Pude ver um vazio naquele olhar, um vazio de quem já muito viveu e nada mais parece entreter. A cerveja? Um bom pretexto para aquele domingo de manhã. Com os olhos de lobo ele me estudou, e também viu um olhar distante, mas que estava apenas a alguns metros dali. Depois mudei de foco, assustado, preocupado com o que aquele senhor podia pensar de mim. A imagem não sai da cabeça, e aquele copo de cerveja cristalina também não.

Cataclisma

Ao som de um cavaquinho numa manhã cinzenta surge essa história. Viajar por pesadelos interestelares coletando tampinhas de garrafa e colocando barquinhos no oceano. Dione, Hermes e Dimitrov. Por onde andam estes caminhos escuros que não tem começo nem fim, apenas um rastro de terra que vai sumindo com o sol no horizonte. Nessa floresta a matemática e a física de nada servem, e tudo que você tem é tudo aquilo que você perdeu.

Uma fogueira naquela noite no vazio, o vento tenta apagar as brasas e mandar uma mensagem dizendo que não somos bem vindos ali. Nem eu, que inventei esta história. No coração da natureza o sangue que circula é verde e marrom, cor das folhas e dos troncos das árvores. A floresta é imensa e a mente do homem é tão pequena. Números e mais números se juntam querendo descobrir a verdade absoluta. Criar um objeto ou uma ideia que domine o mundo e torne todos nós vassalos de um seleto grupo de anciões da ciência e do dinheiro.

Aqui não importa se é dia ou noite, ou se trouxestes um mapa com medo de se perder. O essencial é ser e se perder. Seguir o fluxo dos peixes nas correntes. O fim de uma jornada sempre é o começo de outra, mesmo que não seja nossa.

Dione acorda de um pesadelo e o fogo ainda está aceso. A barraca e todos pertences sumiram, incluindo Hermes e Dimitrov. Eram dela, possessiva e dominadora como sempre, ela se vê sozinha ali naquela mata fechada. Os caminhos são tão incertos (e a única certeza é: basta ir); e eles vão por ali, onde não há canoas nem pontos turísticos. Pequenas frutas são apanhadas no caminho e meia dúzia de cervos olham desconfiados para aqueles estranhos.

Em algum lugar do mundo a Segunda guerra mundial ainda não acabou, e em outros lugares não muito distantes a Terceira está apenas começando. Trouxeram tanto conhecimento e notas de cem guardadas em malas, mas não tinham o que fazer com nada daquilo. Trouxeram títulos de doutorado mas não tinham a quem expô-lo.

Cito a floresta, mas podia ser um deserto, uma região coberta por gelo, o interior de um vulcão, ou ainda melhor, uma estrada congestionada, ou um furacão no meio da cidade. As cartas estão nas mesa, quem será o próximo a sumir no Projeto Aqui?

Existe uma luz do lado de dentro da janela

Estive pensando nessa frase ao longo do dia, afinal, a luz vem de dentro ou de fora da janela? Depende de que lado tu estás, a luz exterior pra um pode ser a luz interior pra outro. Existe uma luz além do que se vê. Tenho certeza que sim. Só não posso terminar meu raciocínio sobre isso agora pois há muito trabalho a fazer. Números e mais números na contabilidade. Eterno pesadelo e profunda maldição.

Dentro da Música

Dentro da Música

A música é um remédio para muitas doenças que não tem nome. É cura para saudade, coração partido, tristeza, tédio, emoção, felicidade, indiferença, raiva e amor. Ao entrar pelas orelhas, múltiplos timbres tocam e vibram os tímpanos. Então, finalmente, é possível ouvir o som. A música é capaz de nos levar a lugares desconhecidos e desejados. Sem sair do lugar. Separa-nos da vida medíocre do dia a dia e nos leva a um novo mundo. Um mundo que moldamos da maneira que nós quisermos, com infinitas interpretações. Cada um sente a música de um jeito, e cada interpretação é um universo particular. Desde sempre, a música esteve presente nos mais diversos contextos, e assim continuará. Para sempre eternizada dentro de nós, como uma parte essencial da vida. Diversos instrumentos que fazem mágica, e transformam o lixo em flor. Música. Sempre você. Um eterno obrigado.

Yo creo que sí, pero yo creo que no

Quantas vezes você já disse sim, com medo do que aconteceria se o ‘não’ fosse a resposta certa?

 

O certo nem sempre é o certo, a antítese também serve para o errado. Relativismo incrustado na tomada de decisões. A verdade muitas vezes se perde no tempo. Fica a poeira da mentira em que as pessoas preferem acreditar. Sim e não. Depende do interesse, do que a pessoa quer ouvir, do que ela quer conseguir, da finalidade das pessoas envolvidas. Contratos de amizade, jogos de ações e atitudes que manipulam egos vazios. Muito além do que sente, não foi o preço que se pagou. Amor e paz não costuma se negar a ninguém. O amor nem sempre é capaz de parar uma guerra, mas a paz anda em falta no mundo. Um infinito de palavras procurando informações. O desafio é saber a hora certa de dizer não. 

Sim.

Trechos de ‘Teatro Completo’ – Parte 2

ARETUSA (Lentamente.) – Juro que nunca mais vou amar ninguém. Nunca mais vou me ligar a ninguém. Nunca mais. Eu acabo destruindo tudo que toco. (Página 124.)

RENATO – Talvez Renato a amasse, mas de longe, como às vezes amamos o que é mais oposto, mais diferente de nós. (Página 126.)

ÚRSULA (Para a boneca.) – Tanto tempo. Tudo faz tanto, tanto tempo. Hoje é como se fosse outrora. E nunca mais outra vez. (Página 170.)

NOSTÁLGIO – Sou aquilo que foi e não volta. Tudo aquilo que persiste no coração dos mortais, apesar das guerras, das pestes. Sou o que resta na memória, além da passagem vertiginosa e implacável do Tempo. (Página 191.)

CARMEM – Faz tanto tempo. Eu não vou, eu fico aqui. Eu desisto, para sempre eu desisto, amém. Eu quero o que se perdeu. Eu quero aquilo que conheço, mesmo que não exista mais. Não quero esse lugar para onde você vai, e que nem sei se existe. (Página 213.)

 

ATOR (Mais sério.) – Quando represento, eu continuo sendo eu, mas também, ao mesmo tempo, passo a ser um outro. Eu não seria um ator se não conseguisse ser também esse outro. E não estou falando do outro que me assiste, embora eu também seja esse, porque ele sempre se vê em mim, mesmo quando não gosta do que vê. Falo principalmente daquele outro em que eu me torno, que eu incorporo, que eu me transformo quando estou sendo um ator. O personagem, é dele que eu falo. Um ator não é um ator sem um personagem. (Pausa, confuso.) Bom, então, agora, aqui… será que eu não sou um ator? Será que eu não sou eu? Será que eu não sou nada, meu Deus? Será que estou muito chato? Será que estou pirando? Onde está o personagem? (Página 222.)

 

MIGUEL – Enfim só. Longe de toda essa loucura, livre desse pesadelo que parecia sem fim. Hoje foi definitivamente o último desses… Quantos anos mesmo? Trinta, sei lá, trinta e tantos, trinta e muitos. Intermináveis anos. Eu até desisti de contar. Parecia que o tempo não passava nunca. (Noutro tom.) Mas passou. O tempo sempre passa. Essa é  única certeza que a gente tem. Fora a morte, claro. (Animado.) Mas hoje não quero pensar na morte. Quero pensar é na vida. Na minha nova vida. (Página 223.)

Trechos de ‘Teatro Completo’ – Parte 1

Selecionei alguns trechos que gostei desse excelente livro do Caio Fernando Abreu. Nele, se encontram algumas peças de teatro.

 

BABY – Quando olho para mim mesmo, não gosto do que vejo. Mas quando olho para você, gosto muito menos. Os amigos desaparecem no momento exato em que você precisa deles. O mundo te machuca. As pessoas te empurram nas filas, dentro dos ônibus, nas esquinas. Tudo grita na sua cara que você não vale absolutamente nada. Quando olho para você, quando olho para mim, não posso evitar de pensar que o homem é apenas um animal que não deu muito certo. (Páginas 18 e 19.)

 

BABY – Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto, não espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo. Pela minha absoluta desesperança, meu coração bate ainda mais forte. Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar. Quando se pára de pedir, a gente está pronto para começar a receber. O futuro é um abismo escuro, mas pouco importa onde terminará a minha queda. De qualquer forma, um dia seremos poeira. Quem é você? Quem sou eu? Sei apenas que navegamos no mesmo barco furado, e nosso porto é desconhecido. Você tem seus jeitos de tentar. Eu tenho os meus. Não acredito nos seus, talvez também não acredite nos meus próprios. Não lhe peço que acredite em mim. (Páginas 19 e 20.)

 

B – Você não é a única pessoa no mundo. Esta não é a única casa. Este não é o único país do mundo. Este não é o único planeta. Nem o único sistema solar. Você não passa de uma poeira. Mas, sendo uma poeira, você é tudo também: uma pessoa, a casa, o país, o planeta, o sistema solar, o universo… (Página 25.)

 

BABY – Olha, meu santo, certeza eu não tenho mesmo de nada. Nem sequer de que estou realmente vivo. Eu sei de agora, me entende? Agora basta um teto, é melhor do que ficar naquela chuva fria lá de fora. Amanhã não sei. Pode ser que… (Fica quase sério, mas muda logo de atitude.) Olha, quer saber duma coisa? É melhor não aprofundar muito, não. Quando a gente aprofunda demais acaba caindo sabe onde? No inconsciente coletivo… (Página 67.)

 

MONA (Incisiva.) – Já não falei pra você que intelectualismo não é comigo, Baby? Abaixo a razão e o pensamento! O negócio é só sentir, meu irmão, só sentir. Pensar já era. Pensar acabou, não se usa mais. Desde que parei de ler fiquei muito menos neurótica… (Página, 68.)

 

MONA (Mansa.) – Sei lá, tem sempre um pôr do sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores. Eu não estou fazendo nada de errado. Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas. (Página 75.)

 

LEO (Irônico, interrompe.) – Já ouvi esse papo antes. O mar, o campo, a volta à natureza. Faz cinco anos que eu conheço você, João. Faz cinco anos que você fala a mesma coisa. A mesma coisa. Sempre. Que idade você tem? Eu sei: 25, 26, 27 – não importa. Você já não é tão jovem. Eu já não sou tão jovem. Não falta muito pra você ter 30 anos. O seu cabelo já começou a cair, você já não acredita tanto nas pessoas, os seus dentes estão ficando estragados. As coisas vão ficar cada vez mais duras. O seu corpo vai se decompor lentamente e você vai criar barriga e acreditar cada vez menos em todas as coisas, em você mesmo. O campo, a terra, o mar, a natureza – vão ficar cada vez mais distantes. E um dia tudo não vai ter passado de um sonho. Um dia você vai lembrar de tudo e pensar com tristeza: ”loucuras da juventude.” E todo esse tempo de agora não será mais que um longo tempo perdido, inútil, jogado fora. Quanto mais você ficar aqui, mais poluído você fica, mais envolvido com a cidade. Cada vez é mais difícil de você se libertar. Por que é que você não vai de uma vez? O que é que você está esperando? O que é que você está fazendo para realizar o seu sonho? (Página 83.)

 

BABY – (Muito próximo.) – Você não me entende porque você nos divide em dois: eu e você. Não existe divisão. Eu não sou só eu. Eu sou também você e todos os outros, e todas as coisas que eu vejo. Você não me entende porque você nunca me olhou. Olhe firme no meu olho, me encara fundo. A gente só consegue conhecer alguém ou alguma coisa quando olha para ela bem de frente, cara a cara.  (Página 84.)

 

 

 

 

Borrões

numa tela de aquarela recém adquirida. O pintor em sua humilde mesa de granito cria universos paralelos e retrata o que poucos olhos são capazes de compreender. Para alguns, apenas manchas distorcidas, para outros, arte moderna, cubismo e até dadaísmo. As ideias divergem no papel para depois serem transcritas. Depois das duas. O andarilho de Pequim se  perde em meio ao nada, perdeu-se tanto no nada que o nada virou ele próprio. São borrões que se formam em qualquer história mal escrita. Do início ao fim. No ataliê o tempo voa, o silêncio predomina em boa parte do ambiente. As cores dão vida aos traços e dos traços forma-se uma figura sombreada. Sombras de luz, muita luz. O horizonte é um infinito próximo ao artista, e dele nada pede, porém tudo leva. O presente é um futuro distante, perdido entre o tempo e a memória. Divagar faz parte do devaneio. A vida inteira perseguindo borrões, no chão, nos livros, nas paredes, na pele, feito um indígena que se misturou com costumes chineses. No caminho do artista, as pedras em vez de obstáculos, viram pontes, muralhas e castelos. Preceitos que ainda vigoram desde a idade média. Um inimaginável que só é imaginado em mentes diferenciadas. As memórias do pintor são flashes prolongados no meio de seus flashbacks. O que ele vê foi sempre tudo que ele sonhou, e vivenciou; como sopros de vida em um planeta distante. Às vezes, uma trilha tem só o caminho de ida. O perigo é não saber de onde vem o borrões. Felizmente, ele sabe. Eu também.

Aero Zeppelin

O dia em que eu tive a cidade só para mim (…) Nesse dia a natureza me presenteou com um belo dia de sol, as nuvens não deram sinal no céu, e finalmente fez calor nessa cidade de corações vazios. Infringi as leis, quebrei as regras, fiz tudo que não poderia ser feito. Mas, desta vez, teve um sabor diferente, pois eu já havia quebrado todas as regras antes. A liberdade somos nós que criamos, mas, escolher vivê-la é um passo individual, e eu estava em plena maratona. Eu já não me lembro quando foi que me perdi, mas só me perdendo eu sabia que eu iria me encontrar. No fim, sempre acabo me encontrando. Sempre. Uma das maiores ironias da vida é perceber que, às vezes, somos melhores sem as pessoas com quem nós mais gostaríamos de estar. O meu riso é para poucos, o meu sorriso nem se fale. Apesar da vida não estar sorrindo para mim, eu sorrio de volta; um retorno inesperado e que nada pede em troca. O mesmo serve para todos aqueles que não querem me ver bem ou que não estavam lá quando eu mais precisei. Felizmente, tem muito mais gente por mim do que contra mim. Felizmente, o muito para mim é pouco, e o pouco que tenho, sempre foi mais do que eu sempre precisei. Para mim, qualidade sempre veio antes de quantidade. Eu só não lhes conto mais aqui, porque só de pensar em dizer eu já estaria dizendo. No dia em que eu tive a cidade só para mim, a vida percebeu o meu sorriso, e sorriu de volta como uma criança quando ganha um brinquedo novo. Aliás, o Dia das Crianças está logo aí, e também o de Nossa Senhora Aparecida. Não sei o que isso tem a ver com o texto, mas achei curioso ressaltar.

Manchete

A vida vai se deixando levar pelos acasos, enquanto o destino tenta (re)unir o que o tempo tratou de separar. Nunca desista dos seus sonhos, mesmo sabendo que pesadelos são sonhos também. Como o calor que aquece de súbito, o frio esfria o pensamento decorrente; onde a única vontade é sentar num Cafe, pedir uma xícara e folhear um jornal. Um roteiro de filme passa pela rua da falta de inspiração, e diz olá, enquanto pessoas ao meu redor escrevem, calculam e raciocinam números que eu não tentei compreender. O vento soprava gélido na cidade das pessoas vazias, enquanto encontrei colegas que compartilhavam experiências sobre prostitutas de baixo valor, e garotas de colegial que não usavam calça atolada na bunda. Eu ria fingindo demonstrar interesse, e comentava algo fútil e irrelevante. Talvez, meu único interesse nesses dias seja por músicas que ninguém conhece. Um suspiro entre o intervalo do palpitar da mente, que pronuncia palavras que os lábios não são capazes de dizer. As frases surgem na minha imaginação, como uma caneta que falha ao escrever no sufite, porém, se completam de uma forma incomum. Rastros de sapato deixados na terra, pistas que levam à cena de um crime perfeito: a linha tênue entre saber diferenciar um pesadelo e um sonho complexo, um espelho deixado entre o destino e o acaso.

Rótulos

Vão te julgar pelo que você veste, pelo que fala, pelo que pensa, pelo que ouviram de você, pelo tipo de música que escuta, pela aparência, pela renda, pelo que tem e se der muita sorte, pelo que é, no interior. Em uma sociedade de rótulos, ser autêntico é raridade. Não confunda o “seja você mesmo” com “aquilo que a sociedade espera que você seja”. Querem nos controlar mas estão todos descontrolados.

Julho

Que Julho traga todas alegrias que Junho me tirou. Que eu seja capaz de renascer das cinzas, ver cada queda como uma possibilidade de recomeçar e sorrir, pra você e para o mundo. Que não me falte amor pra viver, música pra relaxar e paz pra sonhar. Que eu nunca desista das minhas metas só porque alguém disse que não seria fácil. Que esse vazio que eu sinto seja o começo de algo que eu nunca senti e vivi, e que esse algo seja tudo e nada, independente e livre de si mesmo. Que a minha teoria se una à prática, rumo à perfeição com suas infinitas imperfeições, porque sou humano e cometo erros. E os meus erros, mais do que meus acertos, me fizeram ser quem eu sou, hoje. Amanhã já me reinventei. Seja muito bem vindo, mês de Julho.

Fenômenos

Depois da tempestade o céu sempre se mostra limpo, levando todo ar antigo e usado para longe. Acho que quase tudo se resolveu, exceto o coração, mas deixa ele quietinho que fica melhor assim, pelo menos por enquanto. A mente está em paz e corpo e alma estão em perfeita sintonia. Quando se faz o melhor que poderia ter sido feito, não há do que se queixar, pois já está feito. Algumas críticas sempre vão existir, indo contra o fluxo da correnteza, é normal e há de se acostumar com elas.

Hoje pela manhã a neblina tomava conta de tudo, enquanto andava pela avenida cheia de fantasmas encapotados. Sentindo uma sensação estranha, uma linha tênue entre a dúvida e o arrependimento. Dúvida por não saber se agi da forma certa, e arrependimento por talvez ter agido da forma certa na hora errada. Como se eu não soubesse que rumo as coisas sempre tomam, é necessário fingir que passo despercebido pelos detalhes, e os detalhes, sim, fazem toda diferença. Tarde de sol, dia de futebol.

No meio da mata

Árvores, terras, arbustos e gravetos se misturam, emitindo ecos misteriosos. Parecem gritos, às vezes rosnados e grunhidos, aquela sensação de estar sendo observado. A trilha é úmida e o tempo está nublado. Histórias de caseiros tiranos são contadas enquanto o caminho avança e não se chega a lugar algum. O chão cheio de terra molhada dificulta a passagem, que tem que ser feita pela beirada da vegetação. Uma subida íngrime separa o que supostamente seria o fim de uma propriedade e o começo de outra. Depois, uma descida considerável até finalmente chegar na porteira do sítio. Animais vagando pelos galhos, e a garoa fina caindo suavemente na gente. Muita energia da natureza e muita paz. Silêncio e contemplação. Certas coisas não tem preço, e essa experiência na floresta com certeza é uma delas.

Lágrimas

Chega um ponto que você não aguenta mais tanta pressão, pressão da vida, pressão do amor, pressão de todos. Cheguei nesse ponto, as lágrimas traduziram tudo o que meu olhar não podia dizer. Chorei, depois de mais de um ano. Não sei o que é pior, a mentira ou a dúvida, no meu caso foram ambas. Chorei por uma hora sem parar, chorei pra minha alma se lavar. Chorei pela minha incapacidade de controlar as situações, pela minha mania absurda de confiar em alguém além de mim mesmo, pela minha burrice de amar e esperar algum retorno, pela solidão, pela falta de fé, pelo meu ego, pela minha guerra pessoal, pelo dinheiro gasto em vão, pelas palavras que vão e não voltam mais, pelas cartas que não enviei, pelos beijos que não recebi, pelo abraço que não tive, pelo meu coração dilacerado, que dói só de tocar nesses assuntos. Não olhei pro espelho, pro momento não piorar, soquei a parede, sangrei os dedos, perguntei por quê, por que, por que nada aparenta dar certo, por que meu Deus, por quê me abandonastes? Aonde que foi que me perdi, perdoe a minha falta de crença, perdoe a minha ira excessiva, me mostre a luz que guiará o meu caminho. Pois sinceramente, ando descompassando os passos, saindo dos trilhos, perdendo a linha, desacreditando de ti, de mim, da vida.

Emptiness

No brilhar do sol que atravessa a fresta da janela, logo cedo na manhã, despertam. Ela e o reflexo que criou de si própria. Brainstorm matutino, favourite worst nightmare se preferir. No one knows. Longas avenidas da solitária andarilha, imponente, educada, sozinha, ali, naquela imensidão de coisas e gentes e ares. Ela nunca faz as escolhas certas, por mais que tente acertar, vem desde kid. Amar, sentir, pensar, essas coisas mundanas e comuns, já não serviam pra ela, nunca serviram, deveras. Além do tempo, razão e pressentimento, de algo pior que estaria por vir, sempre teve esse raro dom, que só ela sabe que tem. Estrela cadente, meditação, ioga, cartas à mesa, leitura de mãos, sabe-se lá o que vem por ai.  

Pierrô à sete chaves

O momento do êxodo que tanto queriam enfim chegou, mas nunca pensaram nas consequências catastróficas que isso causaria. Partida, chegada, check-in, correria, catraca, identificação. Qual o preço de uma mudança de ares? Quatro paredes, manta de cetim, sempre a ausência de alguém que nunca chegou, devaneios, desilusões, deja vu, escapulários, misticismo e silêncio, Redemoinho de ideias, buraco negro, outra dimensão. Gosto afrodisíaco, valioso, fundamental. As coisas sempre mudam, e as pessoas não saem do lugar. Estranho, contraditório, irremediável, destino, caminhos cruzados, algo assim, que a gente lê aí nos livros. Barco na correnteza, cachoeira de memórias, grutas e escuridão. Ouro de aluvião, quinto, selo real. Algo totalmente novo, inesperado, o dia de amanhã, quem sabe? Não sabemos. Entre pierrôs e arlequins, sempre há um carnaval e um caminho..

Odd

Beyond the shadows of your devilish eyes, a rainbow is waiting for the one to pick the jar of gold, as the myth says. More than this, on the pursuit of happiness, your joy is to make people get lost. And you smile, and you laugh like there is no tomorrow, like the world gonna burn our brains right now. Many adventurers have tried/have been trying to attain the final prize, your love, the dizziest feeling ever, which many try to define and describe but has no definition. Kings and queens, thrones, diamonds, tons of gold, it means nothing when happiness is what we’ve been talking about, your happiness, oh happiness (…)

Cadin

20. O tempo que falta pra mover-se dali, longe dos seus fantasmas, de suas memórias malignas, problemas criados por ele próprio, outros não, até. Uma chance pra recomeçar do zero, longe do passado-presente. A cada dia nascer outra vez, nunca é tarde pra recomeçar. Uma chance de ser feliz; quem não quer ser feliz? É bom ter uma chance a mais. Que seja doce, que seja doce… Simples assim.

tears in heaven

Na calada da noite, um fluxo de pensamentos adversos. Choraram amargamente; uma mistura de ódio e tristeza. Aquela água salgada que parece o suor de dois corpos roçando-se bestialmente. Um choro por alguém que desmerece uma lágrima sequer, que escorre pelas duas faces conforme os olhos passam do branco pro vermelho. Passa o tempo e as máscaras caem, revelando faces nunca antes imaginadas. Promessas não são cumpridas, e a verdade nem sempre agrada. Ainda que doa, dizem sempre a verdade. No princípio magoa, mas depois acostuma-se; com tudo. Lágrimas secam, os olhos voltam ao normal. Noites melhores virão, tardes também, melhores no sorriso, melhores no afeto, melhores em tudo; até outras máscaras caírem. Sempre vão cair. A vida volta ao seu rumo enquanto lágrimas secam e máscaras caem.

Contraste entre um ego solidário e a realidade. Amor, morte e outros eles

Já se faz hora, não há outro momento senão o agora. Perigoso será se for deixado pra depois. Turbilhão de fatos misturados com o vento. Levados daqui para acolá. Comprando flores para a amada, abrindo a porta do carro para ela entrar ou descer, no melhor estilo cavalheiresco. Levando o café da manhã quando ela acorda, cozinhando e fazendo outros serviços domésticos. Segurando a mão dela e dando um beijo de leve na testa, dizendo que ”vai ficar tudo bem, meu bem”. Era assim que se distraía naquele fim de maio começo de junho. Cinzento. Procura mas não acha; não por falta de procurar. Beijos perdidos em festas, churrascos e saídas vespertinas. Em corpos unidos no aguardo, esperando alguém que ainda não apareceu. Afetos e apegos levados pela brisa, o vento não traz de volta. Modismo exagerado, alguém sempre nos observa do outro lado. Enquanto desencontram com a vida, terráqueos vão morrendo, de aids, de malária, até tuberculose. Pode escolher. Simplesmente morrem. Paft puft. Salvariam todos se pudessem, mas como salvar outros alguéns sem saberem salvar a si próprios? Ego solidário? O silêncio grita por aqui.  Inutilmente pregam a paz, a igualdade de direitos, o amor.  Pregam tanto que os valores se inverteram, se banalizaram. Não precisa ir muito longe. Malabaristas no semáforo, o garoto de 8 anos vendendo drogas na esquina, mendigos vagando pelas ruas. A garota de 14 anos grávida sem saber quem é o pai. Filhos roubando os pais pra ter um barato. Tudo isso é mais do que normal, hoje. Pra nós não, deitados eternamente em berço esplêndido, sempre com tudo na mão.  Reclamando dos amores perdidos, e essa coisa toda. Nada disso é normal. Não deveria ser, pelo menos. Sociedade onde tudo é muito fácil; Sexo, drogas, cigarro, beijar alguém, se endividar, embriagar-se, viajar pro exterior; Mais fácil ser morto pelo sistema, do que viver. Cocaína, doce, haxixe, o tiozinho deixa você escolher. No meio dessa putaria toda, desse lixo todo, dessa banalização, desse egoísmo, dessa falsidade, será que existe lugar para um ego solidário? Pra um cavalheirismo à moda antiga? Para as coisas boas e puras da vida? O tempo não irá dizer nada. Mais amor, por favor. O mundo tá precisando. A tristeza e os desafetos a gente guarda no bolso e segue sempre em frente, sabe-se lá pra onde. Não sabemos pra onde vamos, mas sempre estamos no nosso caminho.

Running up that hill

Lá do alto da montanha o casal observava a tempestade, os relâmpagos brilhavam por uma fração mínima de segundo, tempo suficiente pra iluminar todo aquele céu. Ambos não sabiam do que fugiam, ou porque estavam ali. Adoravam Tupã, Vênus, Jah, entre outras divindades pagãs. Até que o rapaz disse: Os deuses devem saber quem somos e saber porque estamos aqui. De repente, um trovão caiu próximo a eles, fazendo um buraco no chão e jogando muita coisa pro alto. A moça sussurou: Nós devíamos sair daqui, é perigoso demais; isso pode ter sido um aviso dos deuses. As nuvens moviam-se lentamente pra algum lugar distante dali, os deuses observavam o pequeno casal. Sorriam. Eram apenas 2 pontinhos perdidos na imensidão do cosmos. Afinal, quem era aquele casal? Terá tudo isso um fim?

Do me a favour

Somewhere under your skin a clock is ticking, a couple of months, the final count. Love or hate falling apart, feeling the adrenaline, the blood pulsing in their veins til’ they explode between volcanoes and hurricanes. The daylight fades, the rain falls down. No one knows if it’s just a nimble or a ghost willing to stay.

Se não fosse essa confusão, o que seria?

Tudo sobre nada seria um título mais adequado pra esse texto, porém, sem essa confusão, nada seria. A vida é fluido, se move como uma águia, é o aqui e o agora, ela não espera por ninguém. Pensamentos se desfazem quando cada um descobre o resultado. Amanhece e escurece naturalmentem ignorando a vida e a morte, o amor, o ódio, num eterno renovar. Ampulheta que nunca pára, um oásis no meio do deserto. Visitantes, camelos, cactos, tudo aqui se move. Miragens, passos,   brilho excessivo do sol, vozes, aqui há um pouco de tudo. Controlam o tempo pra gente não se mal acostumar. Tv, revistas, rostos desconhecidos, humanos peculiares. Livros, luz do abajur, sorvete de casquinha à beira mar, ondas, água de coco, areia clarinha. Óculos escuros, sorrisos alheios, aviões de propaganda, biquínis diversos. Lápis que deslizam rapidamente pelos papéis, mais vozes, dessa vez misturadas, sons e ruídos. Sanidade alternativa, mundo distante, guerras, artes, histórias, prelúdios estranhos. O que seríamos sem essa confusão?  Nada além de pensamentos distorcidos, longe daqui.

Leva algum tempo, mas quanto tempo levará (…)

Pra tirar de dentro essa dor que não tem nome, que apenas se sente, que não tem endereço, mas sei exatamente onde ela mora. Dizem que tudo se cura, mas a partida não tem remédio, nem bula. É uma pena, depois de tanto tempo, não enxergar um mero olá, onde havia tanto amor. Se o destino quis assim, quem sou eu para argumentar? Juntei o que sobrou de você e guardei num pote precioso, o mais bonito. Guardei no fundo da gaveta uma foto sua em preto e branco, pra bagunçar um pouco mais a minha bagunça,  pra deixar dificil de encontrar, tudo em alguém que eu estive a procurar. Guardei também o seu rosto na lembrança, num cantinho da memória, um lugar bonito, que tranquei com sete chaves. É como um retalho tão furado que não há como mais costurar. Troca-se por outro, tão fácil dizer.

Leva algum tempo, pra ver você ir, pelas estradas afora, e longe daqui. No teu pensamento fiz minha segunda morada, e é como se tivesse ficado trancado pra fora ao relento. Garoa um pouco, faz frio. Faz tempo que no meu mundo algo se perdeu, e há coisas que nenhum sentimento pode traduzir, nenhuma palavra pode transcrever. As malas já estavam prontas, só faltava a sua partida. O avião decolou, e eu não pude ver através da janela quadradinha. Talvez fosse somente um sonho no qual eu não queria acordar, de repente virou pesadelo, e realmente não conseguia acordar mais. Lutava desesperadamente nos olhos seus, querendo me tornar algo raro, e que você nunca tinha visto, mas acabei como uma lente de contato colocada erroneamente, onde nada se enxergava, além de um limite branco, entre o afeto e a dor da separação.

O sol já tinha ido embora, já tinha clareado a noite. Esperava anciosamente por um novo dia, pelo sol brilhante no céu, anunciando que coisas boas estariam por vir, bastava esperar. Todo dia é um novo recomeço.

Quebra cabeça com uma peça faltando.

No silêncio das carteiras

Há ideias esperando para serem divulgadas. 15 pras 8, mostrava o relógio digital. Vozes vinham de longe, tac tac dos passos vindos do corredor davam um ar misterioso ao recinto. Carros e motos transitavam pela rua, vez em quando tremiam as paredes ou doíam os ouvidos. Não fazer nada já é fazer algo, se pensasse em dizer alguma coisa, já estaria dizendo, que talvez a vida seja um playground e basta saber pagar e se divertir.

A moça bebericava água em sua garrafa prateada, risadas vinham da mesa lá fora, e uma máquina de construção liga suas turbinas. Já passara das 8, e não se ouvia um barulho sequer, agora. Pensamentos nublados, não sabem ao certo no que pensar, um telefonema já tinha sido dado, não demoraria até que aquele clima fúnebre deixasse de existir. Não aguentava mais o tic tac do relógio, o tac tac dos passos, aquelas vozes distantes, na verdade ecos, a buzina das motos, o ruído dos carros. Continuou ali fazendo tudo/nada, dizendo algo pensando. Logo ali, no silêncio das carteiras, esperando a hora que o tic tac indique a hora certa de partir, dali, nos últimos dias. De todos.

The angel of the social network

Monday on Twitter, 10 PM, Apr 11th

A solidão e melancolia daquela segunda-feira invadiam seu espaço. Ela ‘twittou’ aos ceús pedindo um resgate. Precisava de alguém que a tirasse daquele silêncio, um estranho silêncio. Ela não queria escutar, precisava apenasler algo que fizesse sentido naquela noite. Aquele alguém tinha um username que causava uma sensação incomum, tão bobo que chamou a atenção dela, veio rápido acudir sua vontade. Desceu com ligeira delicadeza pelas nuvens que encobriam o céu daquela noite. Disse para ela ler suas frases, seus textos. Então ela leu e percebeu que aquelas nuvens a impediam de ver a lua, mas tinha recebido um anjo em ‘seus braços’. Alguém que conseguia dizer sem ao menos conhecê-la, o que ela sentia. Eles escrevia o que seus serenos olhos castanhos presicavam ler. Ela poderia escrever um livro onde os versos seriam diversas formas de saber o porqueê, e como ela ter encontrado aquele, que para ela agora, seria denominado ‘Anjo azul’.

Suas doces palavras a encantavam como ninguém conseguira encantá-la, e os seus olhos brilhavam só de vê-lo ‘aparecer’. Ela falou e falou, mas nada dizia, e a ideia de descobrir mais sobre ele estava deixando-a louca, pois ele era um tanto discreto. Ela gostava do seu jeito diferente, e gostava de todo seu mistério.  Estava com sede de saber sobre o anjo das sábias palavras. Passaram-se uns dias, e ela sabe pouco a seu respeito. Ele disse que se sente vazio em relação aos sentimentos, mas eu não consigo ver alguém sem sentimentos escrever tão bem com tanta profundidade.

Disse também, muita vezes, estar só. E eu estive também. A distância nos impede de olhar nos olhos, abraçar, tocar, mas sinto como se ele tivesse tocado a minha alma, e quando vou me deitar, acordo, flutuo em milhões de pensamentos alienados de nós dois. Agora estou completa, por alguém que nem mesmo sei a cor dos olhos, um estranho lindo. E já não me importo do mundo não me entender. Pois afinal, quem no mundo tem um belo anjo ao seu lado? Somente eu. E os outros anjos não conseguiriam ser tão belos quanto o meu.

Escrito por : Daniela Verçosa Marques.