Makes me Proud

My sister got a certificate a couple of weeks ago, I can’t say how immensely that made me feel proud. She was elegant in her dress, like she was going to a paris concert in the 70’s. She was astonishing. I wish I could give her a strong hug on that special date. I can’t believe how time has passed as she became such an incredible lady. I wonder if I ever made anything right in my life, but I guess I’ll have to keep my eyes on the distance. The world is yours to conquer, sis, just chase it. I’m very proud of you.

Dearly, big brother.

It’s been a while

I look to the past and I see footsteps that aren’t mine. They are nothing but dust in the shadows. When my image reflects in the mirror, I see an individual different than me. Different than I was 4 years ago. People I met and places I’ve been have become distant memories forgotten in time. Emotions come and go like a blink of an eye. Sometimes when my thoughts are lost and naive I bring to life sparkles which I desire to be dead. They made me sick, sometimes they still do. In the spirals of life and tragedy the sun is shining and the roads still go, as if they will never have an end.

Chave

Engraçado como o passar do tempo muda alguns sentimentos. Às vezes me questiono, em sextas feiras assim, chuvosas, se algum dia eles foram reais. Ou se foram só algo que procurei em vão e não encontrei em determinado ponto da minha vida. Talvez até foram, mas isso de nada vale agora. Páginas passadas, amareladas e se desfazendo lentamente com o tempo. A felicidade mora ao lado. De que lado da rua escrevi meus diários? Procrastinação, música e silêncio. Acabaram em textos. Coisas ruins e boas. Levo só as boas, se houver, é claro. A chuva cai e o meu pensamento pega o primeiro vôo pra lugar algum. A volatilidade de pseudo sentimentos e ideias distorcidas me assusta. Um ano atrás nunca imaginei o modo que minha vida estaria agora, um ano depois. O amanhã já vira passado antes de ser passado. Aos dias e anos perdidos, um brinde. Tim tim. Fiz história pro mundo, fiz liquidação pras vitrines, fiz minha própria biblioteca. A mágica de escrever é falar sobre tudo e o leitor não saber qual parte foi real ou não. Lá fora choveu o dia todo, e nada parece estar no lugar certo quando você está longe daqui. Guardei a sua chave.

Claridade

Fim de tarde, escorre água pelo espelho e uma neblina impede que se veja o que eu pretendia olhar. O reflexo no vidro finalmente mostrou a minha imagem, não outro rosto que se parecia com o meu. Andava em círculos sem saber onde era o começo e onde seria o fim. Depois de tanto girar, escapei pela tangente e finalmente fiquei livre. Corria entre labirintos de sentimentos e pessoas e momentos que sempre pensei que fossem reais, mas tinha me enganado. O real é o aqui e o agora, não um futuro que a gente imagina que um dia vai ter. Graças a Deus tudo isso é passado, amém. Leva um tempo pra gente saber o que realmente tem valor na nossa vida, e quem não faz um esforço pro coletivo, talvez mereça estar só; no singular. Tudo depende do fundamento, o bolo na forma, a panela no fogo, igualdades que se complementam sem querer diminuir, apenas aumentar, completar. Sabe aquele negócio de identidade pessoal, paz interior, de bem com a vida e outras expressões do tipo, a vibe é essa. Bem estar espiritual é poucos. Não há travesseiro melhor do que uma consciência tranquila e a sensação de estar no caminho certo (finalmente). Orgulho só se for de mim mesmo, por viver a vida sem jamais pensar e querer ser outro alguém.

Independência

Hoje faz um mês. Não foi nesta hora exata em que escrevo. Hora que os músicos cantam e o público pede bis. Mas foi hoje, 4 de Julho. Parece tanto tempo, quando se encontra alguém que parece ter feito parte da sua vida desde sempre. Entre tapas e beijos. Certo, mais tapas do que beijos ultimamente. Como todo belo jardim, é preciso saber ver os espinhos antes de apanhar as rosas. Cada dia me traz um aprendizado novo, uma coisa nova, mesmo que seja fácil escrever e difícil pensar numa descrição adequada a respeito. Acho que um relacionamento tem um pouco disso, espinhos que espetam e sangram; também tem rosas, orquídeas e bromélias enfeitando o caminho, mas estamos descalços numa trilha e não temos nenhum mapa. Onde nosso guia é o coração, e o meu às vezes é egoísta e esquece que amor é divisão e soma, nunca subtração. Logo eu, que conheço tanto da vida, ainda não aprendi muitos segredos e encantos do amor. Que não nos falte calma e tempo, porque meus sentimentos estavam fechados para o mundo. Soltá-los novamente assim, como bichinhos que viveram a vida toda em cativeiro, e agora querem correr pela floresta; requer cuidado, e principalmente atenção. A vida pensada a dois é muito mais difícil do que eu sequer imaginava, e a sincronia da sua mente e da minha é algo que me deixa abismado às vezes. O meu ‘eu’ reflete o seu ‘eu’, como se estivéssemos ligados de uma maneira que nem a ciência é capaz de entender. Sonhos, pensamentos, apreensões, medos, sextos sentidos e estado de espírito. Liberdade e unidade, acho que é o lema de Independência de Vermont. Independência é algo que nós queremos há muito tempo. Temos todo tempo do mundo. Você é livre para ganhar o mundo, e se ele sorrir para você, por que não sorrir de volta?. Meus sonhos são do tamanho do mesmo mundo, e muitos deles inclui você. Talvez o mundo sorria para mim também, e eu sorria para ele com você. Independente de todas dependências, i just want you to know, that when i picture myself happy, it’s with you.

Pássaros

Liberdade é deixar quem você ama livre, para fazer o que quiser. Livre para voltar quando a saudade apertar. Livre para se perder, sabendo onde vai te encontrar. Livre para esquecer, sabendo a hora de recordar. Livre para se apaixonar por outro alguém, sabendo que ainda é capaz de amar. Livre para correr pra longe, sabendo a hora de voltar. Liberdade é silêncio, sussurro pertinho do ouvido. Ouvir mais do que falar. É abraço de despedida, não vendo a hora de se reencontrar. É encontro marcado sem ligar. É surpresa na vida quando menos se espera. São palavras doces e suaves ditas ao telefone, que façam sonhar e perceber, que o que falta não é o meu eu em você. Liberdade é a nossa prisão intelectual. Liberdade é você e eu. Antes que eu me esqueça, liberdade para mim é pouco, e o que eu quero ainda não tem nome.

Cores

Sol, lua, estrelas, noite, grilos, barracas, gramados e o barulho único da noite. Verás que o universo é do tamanho da imagem que cabe no seu olhar.  Feche os olhos e veja pequenos pontos coloridos circulando pelos seus olhos, até que forme uma claridade em forma de circulos, espirais ou em forma oval. Abra os olhos e veja um clarão, depois a escuridão da noite acima de ti. Teu sorriso começa depois do suspiro e ele não assusta os pequenos animais que brincam ao seu redor. As cores que você imagina cabem todas no arco íris e nenhuma delas reflete a cor do seu olhar. Dance até a sola dos pés arderem em carne viva, até o sol dizer que é um novo dia e tudo não saiu do lugar. Ande descalça naquele solo cheio de pedras e cuidado onde pisa. Marcha na direção que o sol brilhar. Procura a paz da tua vida num lugar onde não há nenhuma nuvem. Vive teu sonho num paraíso privado onde o arco íris reflere na íris do teu olho e seu cabelo assume diversas tonalidades. Vive, que a vida não espera por ti, nem por mim. Agradece teu universo e tua coragem. Aprecia a paisagem enquanto ela existe. Agradece o momento enquanto persiste. Reza antes de dormir e quando acordar, lembra que tudo não passou de um piscar de cores.

O Antes, o Agora e o Depois

Tudo mudou, e não preciso que ninguém acredite nas mudanças para saber que as coisas tenham mudado. Teu fantasma me assombra na luz do dia, e à noite tudo fica em paz na minha guerra. Teus olhos me enxergam antes que os meus te enxerguem. Se dissipam rapidamente no intervalo de um piscar. Olham rapidamente para outras direções. Perdi o brilho do teu olho, quando fugi comigo. Quando chego, olhos me observam com ar de medo, e dúvida. Olho para o nada e finjo pertencer àquele lugar. Histórias que antes tiravam meu sono, hoje entram por um ouvido e saem pelo outro. Já não tenho mais meus fones de ouvido, que me separavam de todas as verdades do mundo. O que restou foi a vida, em sua mais pura e complexa definição. Dura. Passos na calçada, barulho de folhas, pessoas conversando sobre diversos assuntos. Minha mente sempre distante dali. Hoje mais do que nunca. O que eu queria há quase um ano vai se concretizar. Não pensei nas consequências que isso poderiam me trazer. Tudo vai ser novo para mim, e eu que sempre gostei da mudança, admito que estou um pouco receoso. A novidade é boa, mas a comodidade de conhecer o silêncio de todos, talvez não seja a melhor coisa a se fazer; quando não se conhece a voz de todos que estão prestes a ser conhecidos. Desço as escadas rapidamente, apresso os passos descompassados. Não vejo a hora de sair do seu campo de visão e desaparecer de ti para sempre. Pergunto-me se você deseja o mesmo, ou fique sozinha pensando se um dia eu irei voltar. Vai ser melhor assim. Será?

Piscina

– Onde o mundo só vê muros, eu vejo uma janela. A vida sem você é só um moinho de vento, e aqui a brisa sopra devagar.

Abraço será perder-se no seu olhar, quando me olhar de volta. Futuro do presente do indicativo: será você. Cada futuro é sempre, e parece que você sempre esteve aqui. Eu que nunca fiz planos, já até pensei em algo bom para nós dois. Cada música sintoniza sua frequência na minha mente, e o som arrisca fugir. Em vão. Não importa o lugar que eu visito, as pessoas sempre estão olhando para mim. Jeito discreto, sorriso malicioso, olhar de quem visitou o inferno e saiu vivo de lá. Quase sempre com fones de ouvido. Alheio. Coração cicatrizado dos hematomas e machucados do amor, e o pensamento viaja até você. Sob os olhos dos outros, mais um estranho. Sob o meu ponto de vista, mais um sobrevivente. Logo quando desperto, primeiro enxergo o escuro, depois você. Eu vejo um reflexo diferente na água, depois uma caveira e uma rosa. Um rabisco em preto e branco esperando para ser colorido, ou não. Singelo em sua forma, fixado ali na pele, sob um céu nublado. O dia começa, e eu imagino tudo outra vez. A vida ficou mais alegre desde que você me apareceu, como um sonho bom. Cheio de vida.

Tão só, e só somente

. Eu sou. A solidão é a minha melhor amiga, e o silêncio não precisa mais ser convidado. Já é da casa. Meu mundo gira como gira para todos os outros, mas parece que para mim ele gira de forma reversa. Meu sono é pesado, e costumo sonhar sempre. Os sonhos me ferem sem que eu perceba. Sonham os sonhos, sem que eu queira, no meu profundo inconsciente. O meu silêncio grita por socorro, e já não sei como socorrer o mal que causo a mim mesmo. A luz no fim do túnel se apaga todos os dias para mim. Tudo que vejo é uma neblina de desesperança pairando sobre os meus olhos. A morte parece ser muito pouco, um fim banal. Ninguém seguiu meus passos, ninguém observou minhas lutas, ninguém viu a minha queda. Ninguém escutou as minhas lágrimas. O que eu vivo, esse ego caos, não gostaria que fosse vivido por ninguém. O perto distante está cada vez mais longe daqui, e o caminho é confuso. Sabe-se lá como não aconteceu o pior e não me perdi. Sobre estar só, eu sei. Procuro uma saída e encontro outras portas de entrada. Penso tanto, mas o pensamento sempre volta para algum mesmo lugar. O meu sorriso diz o que não digo, diz também o que eu digo e o que eu gostaria de dizer. Meus olhos com olheiras são distantes, olham para o real, mas sabendo que o real não está realmente ali. O meu campo de visão vai além do que pode ser visto, e ninguém entenderia o motivo, então guardo para mim. Os meus sentimentos dividem-se em corações distantes daqui, um pouco em cada alma. Luz, escuridão, vida, paz, entendimento, amor e o silêncio da estrada no carinho da noite.

Tão só, e só somente. Eu sou. Tanto, e sempre.

Retrospectiva 2013

Superstição ou não, os anos ímpares não costumam me trazer muita sorte. E é claro que esse ano não seria diferente.

Eu ia fazer essa retrospectiva mais para o fim do ano, mas, como estou de porre pós abstinência alcoólica de dois meses, achei que seria propício, e mais interessante, fazê-la já.

Vamos aos fatos: vi ídolos, familiares e pessoas que admiro morrerem. Não pude ir ao enterro do meu padrinho. Não fui pra Porto Alegre no niver da Sis. Prometi que iria, mas não pude ir. Não consegui realizar esse sonho. Fui pra São Paulo duas vezes e não consegui ver nenhuma das pessoas que eu gostaria de ver. Não fui o filho que eu gostaria de ser, muito menos o neto. Não fiz as viagens missionárias que gostaria de fazer. Perdi o amor da minha vida, tendo que vê-la de segunda à sexta, toda semana. Perdi amizades que eram essenciais e vitais, tudo por culpa minha. Passei madrugadas e mais madrugadas acordado, pensando na vida e em tudo que me trouxe até aqui. Aproveitei a vida também, ao extremo, enquanto ela tinha graça de ser aproveitada.

Algumas coisas simplesmente perderam a graça, e não sei o que é necessário fazer para que volte a ter.

Melhorei consideravelmente como escritor, sendo esse ano o mais produtivo de todos, em questão de produção literária. Nunca escrevi tanto, e com tanta qualidade. Conheci pessoas incríveis, outras nem tanto, algumas pelos caminhos, outras pelas andanças. Desconheci outras. Criei vínculos, uns fortíssimos, outros nem tanto. Criação. 

A gravidade pesou mais forte nos meus ombros esse ano. Eu pensei em desistir de tudo, e nunca mais voltar. Mas busquei forças sabe-se lá onde e fui além, e resisti a tudo. ”Um guerreiro de fé nunca gela, não agrada ao injusto e não amarela.” Cá estou. Esse ano aprendi demais com a vida e ela aprendeu demais comigo também. Desistir? Jamais. Mesmo que tudo conspire contra mim.

Teve muita coisa boa também, teve muito beijo, muito sorriso, muito abraço, muito chamego, muito amasso, muito colo, muito carinho, muita parceria, muita viagem, muito evento, muito jantar, muita festa, muito churrasco, muita comida boa (sem trocadilhos, por favor), muita emoção, e acima de tudo, muito frio na barriga. Ah, e muito táxi. Acho que esse ano poderia ser chamado de ‘O ano do táxi’, nunca andei tanto nos laranjinhas.

Tudo que é demais sufoca, perturba, vira moda. E a moda passa, acaba.

Cresci como pessoa, intelectualmente, mentalmente, profissionalmente, e espiritualmente. Deixei a barba crescer, fiz tatuagens, coloquei mais piercings, (nunca tive tantos, mas agora já tirei alguns). Arrumei meu primeiro emprego (só arrumei). Aprendi a pedir perdão e perdoar, agradecer mais do que reclamar, viver mais do que sonhar. Entender que, algumas coisas eu só posso aceitar, não adianta eu tentar mudar. Enfim, vivi, sem medo de errar, e errei muito.

“Acho que prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas frágeis, do que uma vida gasta evitando a dívida moral. {…} E me perguntei a que me referia com ‘coisas frágeis’. Parecia um belo título para um livro de contos. Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também”. (Coisas Frágeis – Neil Gaiman)

Não sei se vocês algum dia já perceberam, mas, Neil Gaiman é como se fosse um tutor para mim, e ‘coisas frágeis’, é uma das categorias de texto do meu blog. Acho que não preciso explicar por quê.

Basicamente, foi isso que me veio à cabeça para escrever na retrospectiva. Se ficou boa ou ruim, não saberia dizer, mas ficou real e sincera, e era esse o meu objetivo.

PS: Hoje, exatamente um ano atrás, eu me instalei aqui em Curitiba. Por quanto tempo eu vou ficar aqui? Mantenho a dúvida.

Sonhos,

por que parar de tê-los quando acordar?

Eu sempre acabo voltando para os meus sonhos, porque você está presente neles. Desta vez, duas noites seguidas, e na segunda, foi tão real que você parecia estar aqui. Os amantes, em silêncio, deitados numa areia limpa e cristalina, virados um para o outro, enquanto milhares de pessoas caminhavam ao redor deles, às vezes escondendo a luz do sol. Havia um vestígio de mágoa em cada um, a expressão dela trazia um pesar, a dele, um descontentamento. Havia também uma amiga dela deitada ao lado dessa. Ela se bronzeava fácil com a pele morena, e parecia estar adormecida enquanto os dois começavam um diálogo. Tudo que havia ficado mal entendido e imcompreendido ficou para trás, todo rancor e mágoa. O diálogo não durou muito, mas teve muito significado. Ele se voltou para o lado, e ela, por inércia, recostou-se nele, como costumavam fazer. O aconchego de um era o aconchego mútuo do outro, e assim sucessivamente. Depois de certo tempo, ali naquele calor agradável que a pele de um passava para a outra, entraram no mar. As ondas estavam violentas, e os pés não conseguiam se apoiar bem no chão arenoso. Ela se apoiou nele, e ele nela, confundiam-se e completavam-se, de uma forma única deles. Até que resolveram sair do mar e voltar para casa de praia, que estava lotada, diga-se de passagem. Almoçaram e repousaram. Quando acordaram, as pessoas que estavam na casa já haviam partido, para as próprias casas. Só havia os dois ali, naquele imenso vazio. Passado um tempo, fizeram as malas e estavam à caminho da serra também, mas antes, pararam num mirante e observaram o pôr do sol, que custou a findar. O sonho acabou assim, de resto, não saberia dizer o que aconteceu em seguida.

Retalhos

Estava cá eu pensando no que é a vida com fantasmas travestidos de pessoas ao nosso redor, e como tudo muda sem darmos conta que tudo mudou. Para quem quer que esteja pensando que escrevo sobre eles, esse eu fiz por vocês. São só retalhos que lhes mando, retalhos de amor, de uma parte dos meus sonhos. Como uma lembrança boa, um sopro de vida. Uma peça de teatro. A minha alma é um eterno reflexo daquilo que meus olhos esquecem de enxergar. Nela cabe um broche, uma agulha de tricô, um trecho de carta, um adeus que não soube se perder, um grito no espaço, um tiro no escuro, um amor indivisivel e quieto. Cinza. Cabe a vida que eu tento viver. Cabe um pensamento seu, o mundo como ele é, estranho do jeito que é. Surgido do incompreensivel e tão simples de sê-lo. Eu rabisco desenhos de galáxias distantes, no ato mecânico (e mágico) de criar arte. Onde nada se perde, nem mesmo na destruição. Eu sou o arquiteto da minha própria destruição, e o engenheiro da minha chance de luz. O meu espírito é tão forte, que resiste aos impulsos e às tentações do mundo, a vida e a morte diariamente. No momento do sono simulo a minha morte, e renasço todos os dias pela manhã. A minha alma é tão frágil, onde ponho tudo a perder, como se eu estivesse num casino e apostasse todas as fichas num jogo que já perdi. O que sobra do amor são só retalhos. Só retalhos.

Jardim

Neste jardim, no meio da selva de pedra, acontecem os ensaios, ensaios de um passado que ainda não aconteceu. Cheio de bancos de madeira e guarda sóis amarelos, as pessoas vem aqui para conversar, para namorar, para descansar; já eu, venho aqui para encontrar a paz na natureza. Os pássaros marrons cantam e o vento sopra no topo das árvores, o mesmo vento que espalha um som mágico por frações de ar que ninguém é capaz de ouvir. O cheiro de terra úmida e de vegetação é um refúgio que aqui encontro, aqui as pessoas olham e não veem, falam e não se comunicam, escutam mas não compreendem. O silêncio faz moradia no meio das folhas, até que aviões passam fazendo imenso barulho com enormes turbinas. Nada abala a verdadeira fé e ninguém tira a paz de um guerreiro que sobrevive a uma guerra. O tempo passa devagar aqui, como uma ampulheta com areia úmida em seu anterior. Daqui eu vejo galáxias, universos distantes e buracos negros. Vejo você que não vejo mais, vejo um futuro que já aconteceu, e um presente que relembra memórias. Um futuro que será brilhante como o sol após uma semana de nuvens. Já é setembro, mas o horizonte continua cinza visto daqui, desde abril faz frio, com raríssimos dias mais amenos. Todos tem um jardim, se não é de flores, é de ideias, de pensamentos. Este é o meu.

Lions

“A morte vem à noite, como um leão”, já bem disse um grande amigo meu. Eles já não vivem mais só nas savanas. Melhor estar preparado, pois cedo ou tarde, os leões vão te alcançar. Antes de dormir, tranquem as portas e fechem as janelas, pois os felinos estão vestidos para matar. Essa noite esqueci de rezar para o santo, aliás, nunca mais rezei para o meu santinho. Flashbacks começaram a vir à tona, e pessoas que eu conhecia me deram boa noite, com os rostos todos destorcidos, mortos, meio zumbis. O último olá pareceu tão próximo que acordei assustado, dizendo: Sai. Era dona Laís, em forma de monstro, mas ela está vivona. Fiquei intrigado com isso, enquanto o silêncio era completo. Olhei para o celular, e o visor mostrava: 3:22. Aquele silêncio incomodava, e a atmosfera era idêntica à do filme Atividade Paranormal. Pensei em acender a luz, mas a claridade seria capaz de me cegar. A claridade anda me cegando, e debaixo do cobertor parecia ser um local seguro. Demorei, mas dormi suavemente, e os leões não me chamaram mais. Cuidado com os leões.

Roots

Que tu sempre saibas para onde estás indo, mas nunca esqueças de onde viestes.

Faço uma nota de rodapé no começo do texto que é pra não esquecer. Raiz é família, do lugar de onde vim só me ensinaram a plantar o bem. A raiz está nas praias mais belas, no pôr do sol visto do mirante, no vento balançando a copa das árvores, na viagem feita por trilhas desconhecidas, nas coisas simples que significam muito. A raiz está no sol que arde, no reggae que traz energia, nos dreadlocks que representam a paz. Raiz é fé, alma, coração, união e respeito. Nunca perca suas raízes, irmão.

Pureza

Se cada rodoviária é um ponto de saudade, qual ônibus esqueci-me de pegar?

Embarquei num ônibus antigo e lotado de pessoas vazias. Pessoas embaralhavam as palavras enquanto bebês choravam e suas mães nada podiam fazer para contê-las. A neblina cobria tudo, e quase não era possível enxergar através do vidro úmido e embaçado. Escrevi com a pontinha do dedo uma palavra na superfície rígida, olhei para o nada possuidor de tudo imaginando objetos voadores raspando nas janelas daquele veículo. Um senhor de cabelos brancos reparou em como a estrada estava estranha, e perguntou-me pra onde estávamos indo. Respondi que não sabia, mas parecíamos estar seguindo no sentido oposto do fluxo normal de gentes. O ar sobre minha cabeça de nada adiantava, o pensamento fervia enquanto a mente agilizava processos e catalisava emoções. Uma profunda reflexão ocorreu-me quando todos aparentavam estar adormecidos, quando o silêncio era quase absoluto, o meu reggae soprava longe nos ouvidos e o ruído do motor quase não me incomodava.

Não há nada mais puro do que sentir amor por quem o sente por ti. A pureza das coisas está em encontrar o amor puro no meio de tanto lixo, tanta miséria, falsidade, hipocrisia, manipulação, hegemonia, ideologia, apologia, jogos de traição, no meio de tanta gente querendo tirar proveito daquilo que o outro tem a oferecer.

A pureza desse amor se encontra relaxada no fundo da minha alma, enquanto doces pessoas tocam harpas e permitem que eu escute a melodia mais bonita que eu já ouvi na vida, e que ao fundo elas adoram dizer: todo amor que você sente, involuntariamente acaba voltando pra você. As coisas puras ainda existem, em pessoas que eu amo, e que sentem o mesmo que eu sinto.

Perda

Dizem que a nossa felicidade nunca pode depender de algo que podemos perder. Dizem para nunca fazermos promessas quando estamos felizes. Também dizem que, quando se ama alguém, é necessário se preparar para deixar esse alguém livre. Como proceder então, quando a felicidade de alguém é a sua felicidade, e essa felicidade se foi? Como proceder quando não se sabe mais o que prometer? Muitos passarão, você passarinho. Cantando e voando. Quando uma memória se perde, pra onde ela vai?

Tentando juntar os cacos.

Trechos

”Separava perigos do grande perigo, e era com o grande perigo que o ser, embora com medo, ficava. Só para sopesar com susto o peso das coisas. Afastava as verdades menores que terminou não chegando a conhecer. Queria as verdades difíceis de suportar. Por ignorar as verdades menores, o ser parecia rodeado de mistério; por ser ignorante, era um ser misterioso. Tornara-se também: um sabido ignorante; um sábio ingênuo; um esquecido que muito bem sabia; um sonso honesto; um pensativo distraído; um nostálgico sobre o que deixara de saber; um saudoso pelo que definitivamente perdera; e um corajoso por já ser tarde demais.”

”Tudo isso, contraditoriamente, foi dando ao ser a alegria profunda que precisa manifestar-se, expor-se e se comunicar. Nessa comunicação o ser era ajudado pelo seu dom inato de gostar. E isso nem juntara nem escolhera, era um dom mesmo. Gostava da profunda alegria dos outros, por dom inato descobria a alegria dos outros. Por dom, era também capaz de descobrir a solidão que os outros tinham em relação à própria alegria mais profunda. O ser, também por dom, sabia brincar. E por nascença sabia que gestos, sem ferir com o escândalo, transmitiam o gosto que sentia pelos outros.”

”Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar! sei que é ignóbil  ter entrado na intimidade de alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar – não conte, só por carinho não conte, guarde pra você mesmo as vergonhas Dela – mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ela fez, vou estragar a Sua reputação.”

”Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar era fácil.  É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar do meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque eu ainda não sou eu mesmo, e então o castigo é amar um mundo que não é ela. É também porque eu me ofendo à toa. É porque eu esqueço que quem nasceu depois foi ela. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimoso.”

”E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntimo do mundo, mas este mundo que ainda extrai de mim um grito.”

”Talvez eu me ache delicado apenas porque não cometi os meus crimes.  Só porque eu contive os meus crimes eu me acho de amor inocente.”

 

 

 

ps: com algumas poucas alterações de gênero

Banho de chuva

Nada como um banho de chuva para lavar e purificar a alma. Com a música alta nos ouvidos, eu andava pelos canteiros da cidade enquanto não enxergava muito longe as coisas que estavam na minha frente. Inventava planos supérfluos pra nós dois enquanto a roupa ficava encharcada e as pessoas andavam apressadas com seus guarda-chuvas pretos. Poderia ficar caminhando sob os pingos d’água o dia todo, enquanto os pensamentos e planos fugissem de mim feito bolas de sabão flutuando no vento, enquanto meu sapato não ficasse completamente molhado e imundo à caminho de casa. A chuva é mágica, basta acreditar. Eu acredito.

Check Yes Juliet

Quando não se sabe pra onde se está indo, qualquer lugar/caminho parece indicar pra direção certa; e foi isso que se sentiu no terceiro dia de junho, onde nem tudo saiu como planejado. O dia começou frio e sombrio, o vento soprava pelas têmporas, ao mesmo tempo que as luzes começavam a ser acesas na cidade. Abraço caloroso, e a desconfiança que sempre tive com relação a tudo; o que supostamente seria o que faltava pro meu mundo ser completo, acabou tornando-o ainda mais vazio, vazio como o silêncio do dia ao pino do sol. Dezenas de vozes, e a antiga familiar sensação de não pertencer ali. Não adianta fazer tudo do modo certo quando a pessoa errada não sabe dar valor a isso. Cada dia será uma despedida daquilo que nós nunca viemos a ser, a não ser no infinito de nós dois, criado no labirinto utópico da minha mente.

”Tudo que vai volta, mas nem tudo que volta encontra o que deixou”

casa reformada, paredes transparentes e um novo fundo. Foi isso que encontrei quando voltei pro lar doce lar. Voltei  pra uma cidade que agora é um fantasma pra mim. Ex-amigos, amores, paixões, aventuras, começos, meios e fins não estão mais aqui, seguiram os mesmos passos que eu; foram tentar a sorte em outro lugar, vagar por outros ares à procura de um alento e de um caminho novo. Saudade é quando o coração aponta pra onde a mente esqueceu de fugir. Meu lugar já não é mais aqui e daqui já não tenho a mesma saudade.

Empatia e preciosidades

Não é sempre que se encontra uma joia rara, bonita e brilhante. Polir e se responsabilizar são tarefas extremamente entediantes, porém necessárias. Achei uma pequena esmeralda, límpida e clara, que passei a cuidar como se fosse a minha própria vida. Às vezes ela sorri pra mim, às vezes diz tudo que eu preciso ouvir. Às vezes me abraça na noite, às vezes me xinga e me odeia. Particularidades. Logo eu, tão Narciso e egoísta, aprendi a dar motivos pra alguém ter algo que eu raramente tive e sempre almejei, a chance de ser muito feliz, mesmo que isso custe a minha felicidade. Sempre fui livre, meio lobo solitário e fora da matilha, nômade de corações, uma ilha a parte nesse arquipélago de realidades e ilusões. Pela primeira vez na vida eu ando pensando primeiro na pequena esmeralda, depois no meu ego inflado de orgias e contradições. Logo eu, que sempre fui amante da boemia e da profanidade, estou praticando a empatia. Algo que até eu pararia pra ver, se pudesse acompanhar por um espelho retrovisor. Eu vou fazer/estou fazendo de tudo pra que esta pequena pedrinha verde e polida seja a pedrinha mais feliz que possa ser, vou lutar, argumentar, gritar e buscar tudo isso, mesmo que isso vá contra todos os meus desejos mais obscuros e singelos, mesmo que vá de contra mão aos meus anceios e preciosidades. É algo que sempre fica na minha mente, e me faz refletir por quais razões estou fazendo isso, sendo que depois de tanto tempo, era algo que permanecia inato e solidificado dentro de mim: a vontade de aproveitar todos os dias como se não houvesse o amanhã, sem me importar com nada, nem ninguém, apenas comigo e com o que fiz de mim. Tornei-me habituado aos aromas, perfumes, cheiros, odores, infinitos sinônimos, dilemas e problemas da pequenina e valiosa esmeralda, preocupo-me com ela como se estivesse pendurado num penhasco e eu tivesse que salvá-la do vento e da poeira a todo e qualquer momento. Os dias tem sido frios e ensolarados, o vento frio e congelante sopra durante o dia, pela tarde, de noite e até de madrugada, como uma canção repetida no meio do deserto. Eu não sei qual caminho vou seguir, pois todos parecem estar me levando ao mesmo lugar. Vou seguindo a natureza, árvores, pássaros e belezas, com uma única certeza: eu posso, eu quero, eu consigo, eu vou fazer o que for preciso.

Algumas esmeraldas são pra sempre…

Depois de observar estrelas cadentes

”Muito além do que se vê, não foi o pouco que sobrou”, lembro ter lido essa frase em algum lugar. Achei genial.

Nem tudo que reluz é ouro, nem todo beijo é amor. Nem todo amor reluz, nem todo beijo é de ouro. E assim sucessivamente, enquanto tocava a sexta sinfonia de Beethoven.

Depois que foi feito todo distanciamento, toda isolação e descontato, uma trégua, a bandeira branca foi colocada no alto da montanha. Gostosa ilusão de pensar que tudo pode voltar a ser o que era. Como um café adoçado com adoçante, nunca volta ao seu gosto original. Amargo, vazio, e quente. Difícil saber recomeçar, quando o caminho que se atravessa não foi o mesmo por onde se começou. Fica a sensação de ‘podíamos ter nos focado mais’ no amor, na vida. Ter cumprido a missão de ser felizes a todo custo, por mais que o céu não estivesse azul, e que os ventos não soprassem a favor. Depois de observar estrelas cadentes, fica sempre um vazio no céu, como se o encanto estivesse perdido. No meu céu cheio de pontinhos brilhantes, tu eras e és um dos pontinhos mais brilhantes, apesar da imensa escuridão. Onde estás tu afinal, se não aqui, dentro de mim e de ti?

Observando estrelas cadentes

O teu silêncio fez de mim um silêncio ainda maior. Me perdi no meu próprio universo onde tu eras a galáxia central. Sempre noite, quase tudo escuro, havia um pequeno brilho no meio de nós, talvez fossem pequenas estrelas cadentes. Às vezes ouvia sussuros no vazio, e o às vezes era sempre, nesse cosmos-intergalático-entre-mim-e-ti. Esperava que algum dos sussuros me trouxesse a sua voz, e quando passava um cometa ou meteorito eu fazia até um pedido. Não trouxe. Logo eu, tão pagão, rezava pro nosso-Deus-eterno-e-todo-poderoso atender a minha prece, no dia em que eu me perdesse naquelas luzes cor de painita clara, olhos das cores de alguns recifes de corais do Atlântico e do Pacífico, eu teria me encontrado, de fato. Às vezes penso que ele não existe, de súbito, retiro o que disse e caio de joelhos pedindo misericórdia, numa eterna e constante oração.

Breathe

Os mesmos dilemas, com pessoas diferentes. Livro na estante, uma voz angelical veio ao meu alcance. Rezei, pedi zelo a uns chegados, orei, como há anos não rezava. Fez sol, frio e céu azul, como manda o meu roteiro. Corri, liguei, tentei alcançar, cheguei ao lugar onde os pássaros cantam e voam, você não estava lá. I love the sound of you walking away. Passo apressado, way farer preto, britânica. Canto do olhar, te vi, nos vimos, não quisestes ceder. Como sempre era só eu, sempre é, echoes. Jane Fonda, Elizabeth Taylor, Madame Bouvary, Morro dos Ventos Uivantes, Audrey Hepburn se preferir. Andy Warhol, The Velvet Underground, coisas retrô e um marlboro ao canto do sorriso, seu efeito psicodélico em mim. You’re such a mystery to me. Coágulos. Tristeza e solidão nem sempre são vazios, quando o silêncio deixado não é o meu.