Dezembro

Acreditar que tudo dará certo, que tudo ficará bem. Acreditar em algo além do que se vê. Combater nossos demônios interiores não é tão simples assim. Nunca sabemos qual nos puxa pra baixo e qual sustenta nosso edifício inteiro e nos motiva a continuar. Algumas coisas nunca mudam, pessoas também. É erro meu acharem que cabeças vazias tem solução, só absorvem aquilo que estão dispostas a absorver. Como uma erva daninha que mata uma outra planta sem perceber. Rouba toda sua luz. Rouba toda minha luz. Cansei de ser astro iluminado, quero ser luz. Iluminar. Ter brilho próprio, buscar meu lugar junto ao sol. Ser sol. Se os pássaros voam de estação em estação procurando o melhor lugar para eles, pergunto-me porque estou no mesmo lugar até hoje? Asas. quero voar pra longe daqui, longe desse inferno que um dia chamei de lar. Meu lar é onde você está, e se estou contigo estou em casa. Simples como uma cantiga de ninar. Simples como te amar. Simples como os pássaros gostam de voar.

Submundo

De repente tudo ao meu redor começou a girar freneticamente, e o tempo pareceu acelerar ali naquele infinito particular. Pressão de todos os lados, meu cérebro parece uma panela de pressão esquecida com o fogo aceso, prestes a explodir. Adentrei no meu próprio calabouço e me esqueci onde ficava a saída. Dia após dia, quanto mais eu avanço, mais o caminho escurece. Sigo com uma pequena vela na mão e algumas outras no bolso. Não sei o que vai acontecer quando todas ceras derreterem. Quando todos caminhos parecem confusos ou errados, tudo o que resta é seguir adiante. Aguardar o dia que no meio de tantas trevas vai aparecer um resquício de luz. Mentalizar que a pior escravidão é aquela onde estamos livres e presos a algo que não sabemos realmente que está ali. Uma tal de Esperança. Tudo que não passa de um desejo, foge do nosso controle. Já viu um pássaro a céu aberto permanecer sempre no mesmo lugar? (…)

Roses in the Air

There is something in the air. The cold wind blows and blows and blows. Clouds swimming in the sky like a train on a railroad. Lights illuminate all the buildings in the city, and it’s still dark inside. My eyes hurts due the heat in the air. There is rage in my soul and pity in my heart. I am just a soldier waiting for the last command. Shooting in a war that doesn’t have any shield. Running in a camp without any proof. My mind is a hell that even demons doesn’t visit. Winter is just a loud dream at night. And I still keep my faith on track. In the war of my life, there is a only a path that leads me home. 

Pray

My mind is a place nobody visits. Sometimes i wake up in the middle of the night and question myself if i’m enough. Enough for this city, enough for this place, enough for life, enough for her. I’ve lost everything once, and i wouldn’t like to lose it all over again. I am afraid. Not of who, of what. Just afraid. I love her so much i can feel the stings in my chest when i listen to her name. She’s everything i ever wanted, but perhaps that’s too much for me. I think i will find out only the day i will marry her. I am afraid i don’t deserve such a gift in my life. Due to all the things i’ve been through, i got used to the scars and all the pain. Got used to the silence and the loneliness. She makes me feel a person, she makes me feel alive. Makes me to notice that life is worth fighting for, and work for. I don’t know why i have such distorted images in my head sometimes. Again i say, i am just afraid, life scares the hell out of me. She is my first thought in the morning and my last thought before i sleep. My heart and her’s and i’m her’s too, body, love and soul. Distance may divide us apart, but i always carry her with me. I always had bad times, and she’s been through a lot either. We are just lovers in the rain, and our love is an umbrella. Life is tough, and reality keeps punching me hard. But i will never give up on my dream, which is spent the rest of my life by her side. I don’t usually pray, but i am praying this time. God, please be good to me. They say good things come for those who wait. I will wait as longer as it’s needed. I will do everything i can to hold her, give her all my love and care, make her feel the most happy woman in the world. But please God, release me from these nightmares and these evil thoughts. Because the best of me has always she in, and the best of me it’s the least i can give to her. She’s everything i ever wanted, and everything i will ever need.

Retrato

Meu coração parece ter 1 milhão de anos, e quando penso que ele já sofreu de tudo, o coitado se machuca outra vez, e isso machuca. Eu invento planos, fico imaginando lugares que eu quero conhecer. Dinheiro nunca foi o problema, o problema é que tudo fica melhor quando feito a dois. E quando se trata de eu e mais alguém, triste é não querer e estar só. Tão só e somente. Nunca fui perfeito e sei que cometo muitos erros. Meus erros, mais do que meus acertos, me fizeram ser quem eu sou. Eu não mudaria nada em mim, mas mudaria muitas coisas nesse tempo que passou, e não volta mais. Tempo, sem contagem de dias, meses ou anos, apenas o tempo. Me sinto só, principalmente quando esse vento gelado entra pelos buraquinhos da janela. Se faz 8 ou 6 graus eu não sei. Faz frio em Curitiba, mas o inverno já cresceu dentro de mim faz tempo. O futuro é um dia nublado, e não vejo muito além dessa neblina que parece que nunca vai passar. O presente, é uma armadilha que me prende e não me deixa fugir. Aos poucos a ferida aprofundou tanto, que não teve mais jeito de cicatrizar. A vida bate forte, e às vezes é melhor apenas se deixar ferir. A gente nunca sabe o que se passa no coração dos outros. Ilusão seria pensar que as pessoas se preocupam com o que se passa no nosso. Doer faz parte do esquecimento, mas quando você finalmente acha que seguiu em frente, fantasmas do passado vem me assombrar. Eu sempre quis saber qual o significado de amor, mas quando esse significado aparece depois de tanto tempo, percebo que não deveria nem ter começado a procurá-lo outra vez. Porque além do destino, o amor também brinca com as pessoas. Depois de pouco mais de um ano, voltei a sentí-lo outra vez, e dói. Dói saber que amor é isso, ver quem se ama feliz, mesmo que não seja com você. E cada dia parece te deixar mais distante, nesse silêncio que nenhum de nós planejou.

Ampulheta

Num relacionamento, seja ele afetivo ou amoroso, muitas vezes cria-se uma ilusão. Sempre acontece de querermos tanto alguma coisa, que a idealizamos. Nos apegamos à ideia de ter o objeto afeiçoado, não ao objeto em si. Assim como bebidas, sentimentos tem que ser destilados, filtrados. Difícil é distinguir quando o muito é pouco e vice-versa. O ponto ideal para mim é distinto do ponto ideal da maioria das pessoas. O perfume para mim, é veneno para você. Tudo depende da fragância. Pensamentos são labirintos, e as dúvidas são um minotauro. Ficar e correr, voar pra longe, ou simplesmente fugir. O livre arbítrio é universal, mas a solução é única e de cada um. Às vezes o passado vem atormentar o presente, precisando apenas do momento errado para fazê-lo. Às vezes, o destino nos reserva algumas surpresas. Às vezes, melhores surpresas são aquelas que fazemos para nós mesmos. Nos prendemos tanto a certos momentos, que essa prisão acaba libertando-os, sem percebermos. Lamentava muito certas perdas, mas cada passo que dei a frente, deixei uma saudade e um nevoeiro pra trás. A vida é só um jogo de escolhas que precisa de um pouco de sorte. Ganha quem sabe perder. E quem perde, ganha por outro lado. Ganha quem soube esquecer. Relevar. Perde quem não soube superar. Quando se luta muito pelo que vem logo à frente, tudo que ficou pra trás torna-se apenas uma folha que é levada pelo vento. Como uma garrafa vazia num balcão de bar. Vazia, e tão cheia de si.

Inércia

Sabe quando você quer parar, mas você simplesmente continua? Tudo te motiva a desistir, mas você segue firme e forte na luta. Quando você passa por tanta coisa ruim e quando acontece outra, você até dá risada. A vida me bateu muito, calejou muito a alma e a mente. As pessoas me disseram que eu não duraria um ano no mundo real; eu digo que elas não durariam uma semana no meu. Não posso (ou não consigo), descrever a sensação de ter que acordar todos os dias, sabendo que todos seus sonhos foram arrancados de você. Ou pior, escaparam de você. Nunca tive sorte no amor, nem com amizades. Erraram muito mais comigo do que errei, mas não guardo ressentimentos de ninguém. O meu caminho é ser só. Antes eu tinha medo do que poderia acontecer, caso eu não conseguisse fazer tudo que eu sempre quis fazer. Hoje, aprendi que os espinhos vem primeiro, para depois a vida te coroar com rosas, ou mais espinhos. O destino realmente brinca com as pessoas. O meu destino é uma página cheia de rabiscos e lacunas levadas pelo vento. Voou pra longe.

Ou os Dois, ou Nenhum

Gosto do que já se perdeu, admiro o que a vida levou com o tempo. Porque sempre me deixa alguma história para contar e escrever. Gosto do que não existe mais, o que ainda habita em mim mas em outro alguém é apenas um vazio, um vácuo distante. Um som que não existe no espaço. Memórias são lembradas com importâncias diferentes e de formas diferentes. Quão fiel cada um de nós é em relação às nossas memórias? Cada um lembra de um jeito, valorizando partes que talvez para o outro fossem indiferentes. A verdade é um sol que arde nos olhos nos impedindo de enxergar com clareza. A verdade é nua e crua. Ou os dois, ou nenhum. Sorriso discreto e uma risada sutil. Nem você, nem eu. Lembro como se fosse ontem, como num sonho ao despertar. Nenhum de nós esteve mais ali.

Zwei

Quero tapar os vazios que você e todas as outras deixaram. Tornei-me vazio, como um copo depois de um shot num balcão de bar. Fica tudo registrado, como numa folha antiga escrita com nanquim. Você não existe mais como eu gostaria que fosse. Te procuro em outros corpos, outros beijos e outras faces. Tento fugir para lugares distantes, mas ainda não cheguei aonde queria chegar. Não tenho vergonha em dizer. Seu sorriso discreto, suas bochechas que ficavam rosas facilmente, teu colo, teu olhar, teu chamego, teu abraço. Tudo isso misturado com o som da sua voz era uma viagem no tempo. Pra um lugar onde nenhum de nós sabia, mas na mesma direção. Eu que não tinha nada e nunca havia tido ninguém, tive você. Te perdi como um pássaro que foge da gaiola por não poder mais voar e cantar em paz. Não tenho vergonha de me lembrar com saudade e me despedir outra vez. Muito menos receio. Tenho vergonha por esta descrença, por essa falta de sentimentos. Por esse medo de acreditar no amor mais uma vez. Construí uma barreira que acabou se tornando um castelo, do qual não consegui mais fugir. Depois de tanto tempo, o teu efeito não é mais alucinante, porém ainda é mágico sobre mim. Como uma droga que invade o sistema nervoso central e causa dependência psíquica. Manter contato contigo era tóxico para mim e para ti, tentar um novo começo. Um veneno que eu injetava diariamente e até hoje não encontrei o antídoto certo. Tomei vários coquetéis na veia com a esperança que um deles me trouxesse você de volta. Você não olhou para trás, nem eu, quando te deixei partir. O seu medo me dava medo. Medo de se entregar completamente, como eu me entreguei. Quando penso em ti, sorrio. Aparece uma motivação de ser uma pessoa melhor para mim e para os outros. Num futuro próximo, não nos veremos mais, e me sinto tão pleno de si. Dono do mundo, e também um grão de areia que voa com o vento. Leve e sem direção. Micro partícula formada há 1.000.000 de anos atrás. Talvez mais. Na minha eterna busca, eu tentei me curar e tentei curar outras pessoas. Acabei ferindo mais a mim mesmo, como um corte que sangra sem perceber e infecciona. Procuro alguém que queira viajar comigo. Viajar pro lugar que um dia nós queríamos tanto conhecer. Eu que fiz tantos planos malucos, hoje não sei do que será composto o futuro. Você que dizia que eu sempre sabia usar as palavras certas na hora certa, não saberia dizer. A areia que desce da ampulheta deixou todos flutuarem para baixo, e o tempo se foi para mim. Não sei se me perdi ou foi ele que não encontrou nenhum de nós dois. Logo eu, que sempre fui tão pontual. Perdi o horário. Te entendo como ninguém, mas isso nunca foi o suficiente. Sempre vou entender seus impulsos nem sempre lúdicos. Gostava de ti porque tirava o meu sossego, me dava medo, me surpreendia de todas as formas possíveis. O inverno está chegando e os lugares que passeávamos continuam os mesmos, mas a minha câmera mudou. Vou tirar foto do que se perdeu, do que um dia foi bonito, do que não volta mais. Com foco e filtros diferentes. Prepara teu casaco azul.

Hot Like Fire

Nas profundezas da noite se escondem os meus medos, meus segredos, meus melhores dias. Caminho só e distante na noite fria, de vez em quando passa um carro me encarando, mas eu estou estranhamente seguro ali. Piso em falso, quase caio em um buraco na grama, dou risada e sigo adiante. Nem me lembro qual foi a última vez que eu bebi, nem me lembro mais quando andei acompanhado nas noites. De tanto andar só, a noite se transformou em mim, e eu me transformei nela. Cúmplices perfeitos de crimes e delitos públicos que alguns alguéns viram. Tão sós em nós mesmos. Eu e a noite. A noite e eu. A cidade sempre me pareceu mais interessante quando as luzes dos prédios e outros lugares ficam acesas. Vez em quando escuto orgias no escuro, gritos, sussurros, tapas e gemidos. Rio freneticamente me lembrando de ti. Você e suas orgias. Suas orgias e você. Cúmplices desde sempre. Selvagem, indomável e maluca. Nem deus sabe do que você é capaz, meu amor. Você e a noite. Amigas de longa data. Quase um ano passou e a minha esquina ainda não cruzou com a sua, e já te procurei em todos os bares da cidade. Você não estava ali, meu amor. Por onde andas? Onde andas que já não te percebo mais?

Um whisky com gelo por favor. Mais um para a ruiva que acabou de entrar. Por minha conta. O doze anos desce trincando o estômago, e minha mente grita por ti. Mão na coxa, zíper que se abre. Onde é que eu fui me meter. Literalmente. O sexo dela é fogo e o meu é oxigênio. Um alimenta e aumenta ao outro. Qual é o seu nome? – perguntei. Eu sou a dama da noite, o pesadelo dos amores perdidos. – ela respondeu. Beijo com gosto de beijo não dado. Disseram-me que essa droga vicia, essa tal de abstinência amorosa causa até anorexia. Meu amor, o que eu posso fazer se depois de você, as outras são só as outras? Você é dona desse jogo que eu já não jogo mais. As regras são suas e as jogadas já são mais minhas. Xeque mate no xadrez, o rei sem ter pra onde fugir. Pra onde é que eu vou se não pra onde o coração mandar? E foi lá pra longe.

Tão próxima, sem seu endereço. A vista do seu prédio é quente como o cobertor que te esquenta solenemente. Fria como a brisa que sopra quando você chega de madrugada. Kiss, kiss, kiss, and kiss and kiss. Saudade é parte do processo de seguir em frente, mas de que adianta dar 2 passos a frente e outros 10 pra trás. Eu sabia que você era problema. Gostava do erro mais do que do acerto. Sem solução. Estratagema mirabolante que até hoje ninguém soube resolver. Ela sabe ser quente como ninguém. Quente como o fogo. A paixão arde dentro dela, como o sol que queima no verão. As amigas não sabem, os homens não percebem. Um olhar diz muito mais palavras do que as pessoas costumam escrever. Quem é esse sujeito que conquistou meu amor? Seja feliz meu amor, e quente como o fogo. Para sempre e depois.

E com ela foi assim: amor antes da paixão. Fogueira antes da chama. A chama apagou tudo que a fogueira não quis deixar apagar.

Pacífico

Dois estranhos no barco fugindo numa embarcação, ele não a conhece, ela não o conhece. Atravessam o oceano Atlântico e não dizem sequer uma palavra. Fazem anotações de bordo a cada coisa diferente que enxergam, a cada olhar discreto que trocam. O navio acaba tendo diversos problemas, e uma viagem que normalmente duraria 1 mês, acabou durando 10. Dois corpos se veem e não se enxergam, pensam mas não refletem, falam e não dizem. No meio do oceano não havia ninguém além deles. 30 e poucos passageiros estranhos, e nenhum dos dois sabia o que estava fazendo ali. No começo dava uma certa maresia, uma vontade de se jogar naquela água gelada e morrer de frio, sem avisar a ninguém. Chovia, nevava, e eles permaneciam ali, imóveis. Não existia nenhum relógio, e eles eram escravos do tempo. Escreveram muito. Ele muito mais do que ela. Ela preferia ficar entretida com seus pensamentos, muda e mal humorada. Ele não gostava de guardar nem os lápis de cor, quem dirá o que sentia. Sangrava tudo no papel, como se a vida dele dependesse disso. Dizem que é preciso entender o silêncio para depois compreender as vozes, mas no caso deles o silêncio era sagrado. Um entendia ao outro sem que dissesse uma palavra. Quando um lançava um olhar, o outro virava distraído, fingindo estar focado em algo que não estava presente ali, e vice-versa. A viagem que começou no inverno terminou no outono. Hoje, eles estão quase desembarcando outra vez. Ele com seus escritos, ela com suas jaquetas de frio e sapatos. O inverno está chegando aos poucos, outra vez. Embarcarão de novo, só que dessa vez em barcos diferentes. Ela, para esquecer de vez. Ele, para nunca mais voltar.

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Aluguel

Às vezes acho que nasci meio do avesso. Jogado pro alto, falando com o santo. Móvelrústico. Cabana no meio do deserto. Meio assim, infeliz com o mundo. Felicidade tem sido tão sofrida, tão batalhada. Mas idealizo a felicidade, e não sou feliz. Crio uma coisa só para me iludir que ela está ali. Sem perceber. Tudo tem dado tão errado, que já não sei qual vai ser minha reação quando algo der certo. Devo não ter nascido para o amor. Inimigos de berço sem opção. Muito mais ódio guardado do que amor. Amor a gente deixa voar. Ódio é uma pedra gigante no chão. Imóvel de aluguel. Morena, o amor tem um pouco disso, cê sabe. Um ama mais, por não receber amor na mesma intensidade. Sintonia e igualdade é pra quem tem. São pedregulhos no caminho que tropeçam sem te ver. Morena, não me aluga assim não, só por acaso. Faz de mim morada nossa. Só Deus sabe o que já fiz por amor. Sabe lá que loucura posso fazer por você. Compra uma passagem só de ida pro turista mais louco do teu coração. Ah morena, o mundo é tão grande… É pecado meu querer viajar só com você? Viver só com você? Planejar tudo e não ter você? Ah morena, se o mundo tivesse um pouco do amor que tenho por ti… Ah se tu soubesses, morena. Como é grande o meu amor, por você.

Heroína

Você é luz depois do caos. Sol depois da chuva. Verão depois do inverno. Antídoto depois do veneno. Paz depois da guerra. Cura para o meu vício. O melhor de mim eu só soube depois de mostrar a você. Tenho medo de estar errado sobre nós, mas que culpa tenho se é tu que invades meus sonhos todas as noites? Você é o mais perfeito enigma que eu já encontrei, e a resposta não precisa estar subentendida. Não tive escolha, a não ser me entregar por completo. O meu sistema nervoso grita quando você se vai, e o cardíaco quase entra em pane. O mundo gira mais devagar quando estamos juntos distantes, e eu não me lembro de um resquício de felicidade antes de ter você aqui. Vários olhares atraentes me olham, mas só tenho olhos para você. Monopoliza meu carinho na tua atenção. Presta atenção no que diz a minha voz rouca e perdida. Só não se perca na minha música. Esquece o teu sorriso no meu travesseiro. Tranca teu abraço num baú que só nós dois temos as chaves. Lembre de mim quando menos merecer, pois é quando mais tu precisas de mim. Eu que tenho quase tudo, desaprendi como era ter alguém. Você vai, mas sempre volta para mim. Tudo parece não fazer sentido, e estranho seria se tivesse algum. Olhos fechados, frenesi sentimental que vai até você. Você disse tudo que eu tinha medo de ouvir, e depois de correr perigo, me sinto plenamente dono de mim. Seguro. Seguimos nossos passos em estradas diferentes, esperando que um dia nossos caminhos sejam um só. Será. Somos um só caminho.

Pequim

Qual o valor de uma promessa? O famoso “para sempre” não dura mais que um instante. E o instante sempre passa por aqui. Paixão também sempre passa. Amor passarinho. Voa pra longe sem saber do que está fugindo. Difícil é querer dizer sem saber o que está sentindo. Progredir sabendo que está regredindo. Esconder um sentimento sabendo que está sentindo. Sorrir para o mundo sabendo que ele não está sorrindo. Fingir o riso quando estão rindo. Ver o mundo acabando. Saber que estão te enganando. O amor se comprando. A verdade rareando. A fé se perdendo.

Engrenagem

Chovia forte na minha mente. Os pés úmidos no asfalto, a camisa encharcada. Andarilhos no escuro. Cover de Kings of Leon a todo vapor. No saguão, bebuns e musas. A percussão mais alto que o vocal. Até eu que não entendo de Acústica, notei logo de cara. Tudo funcionando como uma máquina perfeita, na mais perfeita logística; até que o pensamento viajou até você, que nunca esteve aqui. Na ausência se prova o quanto um sentimento é real. Mas na presença, tudo pode se intensificar. Quando deixo de ser eu e começa você? No meu maquinário sempre falta uma engrenagem. A válvula que faz o sistema funcionar em perfeita harmonia. O teu eu mecânico, estático, que nunca vem até mim. Eu nunca sei qual parafuso devo apertar. A peça desaparecida que nenhuma loja tem para vender. Saudade de quem eu nunca vi. Saudade de ti. O engenheiro de corações diz que o amor é um sexo que quase sempre pega fogo. Para ser engenheiro, não precisa ser mecânico. Vice versa. Tudo segue girando na roda da vida.

Falando com o Ego

Tanto fiz, que agora tanto faz. Minha vida é um ‘entra e sai’ de pessoas, eu sei. Muita gente entra nela, mas a proporção de saída é igualmente grande. Não peço para ninguém ficar, até facilito o adeus. Chega um ponto em que é preciso parar de bancar um Buda moderno, e pensar mais em si do que nos outros. Eu já percorri essa estrada do altruísmo, e olha só onde me levou: decepção, descaso, falta de camaradagem e claro, ilusão. Então tem sido assim, primeiro eu, depois quem estiver comigo. Meu bem estar não tem preço, e nunca terá. Se aceitar meus termos, ótimo, teremos uma baita amizade; porque não me doo pela metade, e não sei ser meio amigo. Se não, a porta está aberta. Só não fique no caminho, pois o vai e vem é constante, e cansei de ‘pra sempres’ que duram até depois de amanhã.

Tão só, e só somente

. Eu sou. A solidão é a minha melhor amiga, e o silêncio não precisa mais ser convidado. Já é da casa. Meu mundo gira como gira para todos os outros, mas parece que para mim ele gira de forma reversa. Meu sono é pesado, e costumo sonhar sempre. Os sonhos me ferem sem que eu perceba. Sonham os sonhos, sem que eu queira, no meu profundo inconsciente. O meu silêncio grita por socorro, e já não sei como socorrer o mal que causo a mim mesmo. A luz no fim do túnel se apaga todos os dias para mim. Tudo que vejo é uma neblina de desesperança pairando sobre os meus olhos. A morte parece ser muito pouco, um fim banal. Ninguém seguiu meus passos, ninguém observou minhas lutas, ninguém viu a minha queda. Ninguém escutou as minhas lágrimas. O que eu vivo, esse ego caos, não gostaria que fosse vivido por ninguém. O perto distante está cada vez mais longe daqui, e o caminho é confuso. Sabe-se lá como não aconteceu o pior e não me perdi. Sobre estar só, eu sei. Procuro uma saída e encontro outras portas de entrada. Penso tanto, mas o pensamento sempre volta para algum mesmo lugar. O meu sorriso diz o que não digo, diz também o que eu digo e o que eu gostaria de dizer. Meus olhos com olheiras são distantes, olham para o real, mas sabendo que o real não está realmente ali. O meu campo de visão vai além do que pode ser visto, e ninguém entenderia o motivo, então guardo para mim. Os meus sentimentos dividem-se em corações distantes daqui, um pouco em cada alma. Luz, escuridão, vida, paz, entendimento, amor e o silêncio da estrada no carinho da noite.

Tão só, e só somente. Eu sou. Tanto, e sempre.

Tudo

que eu me dedico a fazer, desde pequenos atos até pequenos delitos, são por amor. Não a alguém, nem pelo o quê. Simplesmente faço, por amor. O verbo que ninguém diz, eu ouso dizer. A música que ninguém ouve, eu canto em voz alta. A palavra que traz medo, eu faço questão de escrever, e reescrever. O zelo que poucos tem, eu faço questão de preservar. Vai além de mim e de ti(s). São apenas efeitos colaterais positivos que aparecem no meio do caminho. Eu não tenho nada, a vocês eu ofereço tudo. O meu mais sofrido verso, a minha melhor rima, até minhas canções. Ofereço também meu mais sincero pranto, que deixou de aparecer. A atenção que eu não tive, eu dedico a vocês. O medo que eu tenho, repasso a vocês em forma de cuidado, e segurança. Opostos não se atraem, somam-se, complementam-se. O meu vazio é transferido a vocês em forma de luz, e de felicidade. Tudo que eu não tive, eu faço questão que vocês tenham. Em troca, não peço muito, só um pouco do seu tempo e um pequeno lugar na sua vida. Onde ninguém seja capaz de me espelhar e se modificar. Amor quando consome tudo em alguém, deixa de ser veneno em um, e se torna cura, antídoto em outro. O amor é capaz de mudar o mundo, capaz de terminar uma guerra. Esqueceram de nos dizer que ele pode começar uma guerra também. O amor está em tudo, menos dentro de mim.

Reinado

Acredito que cada pessoa tem o seu valor, e ao contrário do que muitos imaginam, enxergo que algumas coisas acontecem sim, por acaso. Não há nada que possa ser feito a respeito, pois, como o próprio nome já diz, é acaso. Acredito que cada pessoa leva um pouco da gente, acrescenta um pouco em nós. Se ensina alguma lição,cabe a cada um dizer. Ao contrário do que o digníssimo Caio F. escreveu, penso que às vezes o que é verdadeiro não fica, dá lugar para outra coisa ou alguém ficar. Deixa de estar. Fica o que tiver que ficar. Dá lugar ao que não souber mais nos agregar. Não muito tempo atrás eu pensava que as pessoas não são substituíveis, mas são. Momentos são inesquecíveis, mas podem ser substituídos também, por outros momentos, e outras lembranças. Não pense você que não te substituiriam caso conhecessem alguém mais simpático(a), rico(a), bonito(a), atraente, seja lá qual for o adjetivo. Algumas pessoas fariam isso na primeira oportunidade. Acredito que cada pessoa se aproxima da outra por algo em comum, seja lá o gosto, o interesse, manias, medos, classe social, sei lá. A partir do momento em que as pessoas mudam com o tempo, a similaridade vai se perdendo, e talvez o vínculo e o afeto se percam também. Mudamos o tempo todo, mas nem sempre estamos preparados para a mudança do(a) outro(a). Meio maluco se for parar para pensar, e eu sempre penso em coisas assim. Antes de dormir à noite, numa tarde cinzenta ouvindo Sonic Youth. Em terra de sãos, quem pensa além do visível comum e manjado é rei.

Retrospectiva 2013

Superstição ou não, os anos ímpares não costumam me trazer muita sorte. E é claro que esse ano não seria diferente.

Eu ia fazer essa retrospectiva mais para o fim do ano, mas, como estou de porre pós abstinência alcoólica de dois meses, achei que seria propício, e mais interessante, fazê-la já.

Vamos aos fatos: vi ídolos, familiares e pessoas que admiro morrerem. Não pude ir ao enterro do meu padrinho. Não fui pra Porto Alegre no niver da Sis. Prometi que iria, mas não pude ir. Não consegui realizar esse sonho. Fui pra São Paulo duas vezes e não consegui ver nenhuma das pessoas que eu gostaria de ver. Não fui o filho que eu gostaria de ser, muito menos o neto. Não fiz as viagens missionárias que gostaria de fazer. Perdi o amor da minha vida, tendo que vê-la de segunda à sexta, toda semana. Perdi amizades que eram essenciais e vitais, tudo por culpa minha. Passei madrugadas e mais madrugadas acordado, pensando na vida e em tudo que me trouxe até aqui. Aproveitei a vida também, ao extremo, enquanto ela tinha graça de ser aproveitada.

Algumas coisas simplesmente perderam a graça, e não sei o que é necessário fazer para que volte a ter.

Melhorei consideravelmente como escritor, sendo esse ano o mais produtivo de todos, em questão de produção literária. Nunca escrevi tanto, e com tanta qualidade. Conheci pessoas incríveis, outras nem tanto, algumas pelos caminhos, outras pelas andanças. Desconheci outras. Criei vínculos, uns fortíssimos, outros nem tanto. Criação. 

A gravidade pesou mais forte nos meus ombros esse ano. Eu pensei em desistir de tudo, e nunca mais voltar. Mas busquei forças sabe-se lá onde e fui além, e resisti a tudo. ”Um guerreiro de fé nunca gela, não agrada ao injusto e não amarela.” Cá estou. Esse ano aprendi demais com a vida e ela aprendeu demais comigo também. Desistir? Jamais. Mesmo que tudo conspire contra mim.

Teve muita coisa boa também, teve muito beijo, muito sorriso, muito abraço, muito chamego, muito amasso, muito colo, muito carinho, muita parceria, muita viagem, muito evento, muito jantar, muita festa, muito churrasco, muita comida boa (sem trocadilhos, por favor), muita emoção, e acima de tudo, muito frio na barriga. Ah, e muito táxi. Acho que esse ano poderia ser chamado de ‘O ano do táxi’, nunca andei tanto nos laranjinhas.

Tudo que é demais sufoca, perturba, vira moda. E a moda passa, acaba.

Cresci como pessoa, intelectualmente, mentalmente, profissionalmente, e espiritualmente. Deixei a barba crescer, fiz tatuagens, coloquei mais piercings, (nunca tive tantos, mas agora já tirei alguns). Arrumei meu primeiro emprego (só arrumei). Aprendi a pedir perdão e perdoar, agradecer mais do que reclamar, viver mais do que sonhar. Entender que, algumas coisas eu só posso aceitar, não adianta eu tentar mudar. Enfim, vivi, sem medo de errar, e errei muito.

“Acho que prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas frágeis, do que uma vida gasta evitando a dívida moral. {…} E me perguntei a que me referia com ‘coisas frágeis’. Parecia um belo título para um livro de contos. Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também”. (Coisas Frágeis – Neil Gaiman)

Não sei se vocês algum dia já perceberam, mas, Neil Gaiman é como se fosse um tutor para mim, e ‘coisas frágeis’, é uma das categorias de texto do meu blog. Acho que não preciso explicar por quê.

Basicamente, foi isso que me veio à cabeça para escrever na retrospectiva. Se ficou boa ou ruim, não saberia dizer, mas ficou real e sincera, e era esse o meu objetivo.

PS: Hoje, exatamente um ano atrás, eu me instalei aqui em Curitiba. Por quanto tempo eu vou ficar aqui? Mantenho a dúvida.

De todas as formas

de esquecimento, amar-te mais. Como se esquece alguém que tanto se amou? Negar um sentimento só faz com que ele aumente ainda mais. Tentei me manter indiferente, mas a indiferença sufoca e maltrata. Perguntam-me se eu ainda a amo, respondo que não imagino um dia que não a ame; e em cada desencontro eu encontro uma saída, e cada saída é um novo começo. É estranho se acostumar com a falta que o(a) outro(a) faz. Num instante tudo pode se perder quando pouco se tem a ganhar. Depois de perder tudo é que se está pronto para começar a triunfar. De todas as formas, amor é perder, mais do que ganhar.

Guerra Fria

Nessa guerra entre orgulho e saudade, tu sais vencedora nas duas. A saudade aperta no peito, mas o orgulho te recoloca numa trajetória certa. A saudade aperta em mim, mas não tenho orgulho, sigo perdido e sem trajetória. O teu silêncio é um mistério que tento descobrir, e sua voz, distante, me reconforta e ampara. Mal sabes. Agitada, reclamando e argumentando sobre seus direitos. Correta. Algumas coisas nunca mudam, e com você não seria nenhum segredo. Se o homem pisou na lua, foi lançado ao espaço, descobriu água em Marte, como é que eu ainda não tenho seu novo endereço? O silêncio às vezes não comete erros. Nessa guerra, eu aceito perder, e cada dia eu perco de novo; cada dia um pouco mais. Minha mente diz que não, mas meus olhos me entregam. Quanto mais vezes eu perco, mais vezes você ganha, e me ganha. Porque amar, não são borboletas no estômago. Amar é um soco na mente. Amar é saber perder algo para poder viver. Porque amar, é andar no caminho errado mesmo sabendo que ele não leva a lugar algum. 

Retalhos

Estava cá eu pensando no que é a vida com fantasmas travestidos de pessoas ao nosso redor, e como tudo muda sem darmos conta que tudo mudou. Para quem quer que esteja pensando que escrevo sobre eles, esse eu fiz por vocês. São só retalhos que lhes mando, retalhos de amor, de uma parte dos meus sonhos. Como uma lembrança boa, um sopro de vida. Uma peça de teatro. A minha alma é um eterno reflexo daquilo que meus olhos esquecem de enxergar. Nela cabe um broche, uma agulha de tricô, um trecho de carta, um adeus que não soube se perder, um grito no espaço, um tiro no escuro, um amor indivisivel e quieto. Cinza. Cabe a vida que eu tento viver. Cabe um pensamento seu, o mundo como ele é, estranho do jeito que é. Surgido do incompreensivel e tão simples de sê-lo. Eu rabisco desenhos de galáxias distantes, no ato mecânico (e mágico) de criar arte. Onde nada se perde, nem mesmo na destruição. Eu sou o arquiteto da minha própria destruição, e o engenheiro da minha chance de luz. O meu espírito é tão forte, que resiste aos impulsos e às tentações do mundo, a vida e a morte diariamente. No momento do sono simulo a minha morte, e renasço todos os dias pela manhã. A minha alma é tão frágil, onde ponho tudo a perder, como se eu estivesse num casino e apostasse todas as fichas num jogo que já perdi. O que sobra do amor são só retalhos. Só retalhos.

Dinheiro: até onde vamos?

Será que a vida resume-se apenas a isso? Ser bem sucedido e cheio de dinheiro? Ter o emprego mais desejado do mercado de trabalho, o maior salário da empresa, trocar de carrão todo começo de ano, ter uma mansão no bairro mais caro da cidade, um ap na praia e uma fazenda. Viajar para o exterior, Ibiza, Cancún, NY, Paris, Londres, Amsterdam, Madrid, Milão, Dubai, Miami, Califórnia, para onde você quiser. Poder frequentar os melhores restaurantes todos os dias, fazer compras nas lojas mais caras, portar grifes, joias, artigos de luxo e perfumes importados da Europa. Andar com uma mulher gostosa no banco do passageiro e causar uma boa impressão, ser notado e invejado em todos lugares que chega. Ter uma centena de parceiros comerciais na agenda do telefone. Ter pelo menos uma reunião por dia com executivos para discutir propostas de como aumentar os lucros da empresa. Matricular os filhos no colégio mais caro e tradicional da cidade, criá-los a pão de ló, com tudo que eles desejam na palma da mão. Ter investimentos nos mais diversos tipos de comércio. Ser famoso e aparecer na tv com frequência, como modelo de empresário bem sucedido, poder escolher com quem você quer negociar e fazer parceria. Não ter onde mais gastar o dinheiro. Acho que todas essas são dúvidas não só minhas, mas de uma boa parcela da população brasileira e do mundo todo. Neste quase um ano de faculdade, cursar Administração fez-me ter este tipo de análise e reflexão da vida, e de tudo. Não sei se em outros cursos superiores tem-se uma noção tão profunda do que é fazer parte dessa sociedade capitalista em que vivemos. Sinceramente, não sei se eu gostaria de ter uma vida assim. O dinheiro não compra o amor, nem a felicidade, nem amizades verdadeiras, nem a paz espiritual. O dinheiro não compra tudo, realmente, o dinheiro compra a nossa vontade de comprar, e expandir, e possuir, e ter cada dia mais. Infelizmente, ou felizmente, tudo que o dinheiro não compra anda em falta no mercado.

Oceans – Quotes & Stuff

”Esse é o problema com as coisas vivas. Não duram muito. E depois ficam só as lembranças. E as lembranças desvanecem e se confudem, viram borrões…” (O Oceano no fim do Caminho – Neil Gaiman)

”Eu faço arte, às vezes arte verdadeira, e às vezes isso preenche os espaços vazios da minha existência.” (O Oceano no fim do Caminho – Neil Gaiman)

O livro de um escritor é a sua imaginação, mas, quando a realidade é muito mais fantástica do que o fictício que ele imagina, não estaria ele vivenciando um sonho? (Adaptação que fiz de uma ”quote” do livro ‘O Oceano no fim do Caminho – Neil Gaiman’.)

 

Coisas assim

Coisas assim, mexem com nosso universo particular. Especialmente quando se anda pela cidade, com o vento batendo na cara, sem hora para voltar. Às vezes começa sem sentido, quando o que se quer dizer, só cabe num parágrafo comprido. O que digo nem sempre condiz com o que eu quero dizer, e o meu olhar nem sempre reflete o que meus olhos querem ver. Há tempos não escrevo, mas nunca perco o hábito, penso em escrever tanta coisa, mas quase nunca sei se devo. Resolvi guerrear de forma diferente, deixo o amor fluir, mas levo comigo a mente. Penso nos dias em que estive na praia, onde vi uma mulher bronzeada usando o que era para ser uma saia. Fiquei pensando quem seria o dono daquelas curvas, enquanto ela estava de costas ali, naquela areia turva. Viver é uma questão de liberdade, onde a felicidade do outro passa a ser a nossa felicidade. Como um pássaro que muda de lugar, de uma árvore para outra, sem medo de viajar, e voar. Cantando, piando, assobiando. Voando como voa um avião, em pleno voo, em constante combustão. Pensei em fazer um cover e precisava de alguém que tocasse violão, dedilhar nas cordas o que grita o meu coração. Pratiquei muito a minha voz, na subida de casa, pelos canteiros de grama, aulas após. Os bons sempre vão cedo, isso já não é mais segredo. Se o que eu preciso não tem preço, então é isso que eu mereço. Sigo sem medo, distante, contando cada parceria verdadeira no dedo. Sigo, sem saber se um dia eu vou voltar, para onde sempre foi o meu lugar. Uma tragédia influencia muito uma pessoa, é tanta gente errada que começo a desconfiar de uma minoria boa. É difícil recomeçar pelo fim, ainda não sei lidar bem com coisas assim.

Por enquanto, Curitiba

Já não sei mais quantas vezes vou ter que me despedir dessa cidade. Já me perdi fazendo as contas de quantas vezes eu parti e voltei para cá. Amanhã vai ser mais uma despedida minha. Sempre me lembro com saudade de quando eu era feliz aqui, mas, me esqueço, que lembrar com saudade é como se despedir de novo, como diria minha amada Srta. Lispector. Os dias tem se sucedido numa calmaria que chega a me incomodar, o tempo parece não passar aqui, ao contrário dos que os carros demonstram nas avenidas. Buzinando de um lado para o outro, de repente se ouve um ‘filho da puta, vai tomar no cu, não sabe nem dar seta, não sei como que tirou essa carteira’. A tristeza já não me abala mais, o que me incomoda é eu estar pleno de tudo que aconteceu, e estar indiferente a tudo isso. A minha identidade se perdeu, hoje eu já não me reconheço mais. Não me lembro de como eu costumava ser, e também não sei o que é que me tornei. Gosto de dizer que sou um lobo fora da matilha, ou melhor, o lobo que não pertence a nenhuma matilha. Também já não sei mais o que me prende aqui, a princípio tudo foi do jeito que imaginei. De repente, já não sabia mais se a cidade era a mesma que eu idealizava na minha mente, e que até pouco tempo atrás, me fazia se sentir perfeitamente bem. A minha vida sempre foi uma eterna mudança, nunca consegui manter vínculos duradouros com ninguém. Sou um turista por todo lugar que passo, e não tenho medo das coisas sempre mudando de lugar. Num futuro próximo, sei que muitas coisas vão mudar minha trajetória de vida, para sempre. Vou encará-las de frente, arriscando, e sem medo de ser feliz. Talvez eu até volte ao lugar que por tanto tempo me acolheu, talvez eu vá para o lugar em que, no fluxo certo das coisas, seria o meu destino inicial. Um pouco de tempo atrás, ali no fim de 2011 e nos primeiros meses de 2012; aquele lugar em que eu estava pronto e destinado a viver. Era um recado da vida que no fundo queria dizer: você tinha que passar por tudo isso, para ter mais vivência, e depois decidir qual cidade te fará se sentir morando num lar, e não numa casa. Por enquanto, Curitiba ainda é minha casa, mas, meu coração já foi embora faz tempo.

Woke Up

Com o tempo a gente começa a preferir lugares com menos muvuca, sem pessoas com bafo de cerveja e fedendo cigarro; começamos a preferir um lugar em que não precisamos gritar para a outra pessoa nos ouvir; começamos a preferir conversas mais interessantes e que realmente acrescentam algo; começamos a preferir mil vezes uma música acústica, do que uma batida escrota ou um “lelelê” da vida. Começamos a achar outras pessoas mais atraentes do que nunca, pois elas também preferem tudo isso. Começamos a achar que uma mensagem de “bom dia, senti falta de você” é muito mais valiosa e marcante do que uma escrito “não esquece de colocar meu nome na lista vip”. Começamos a concluir que alguns lugares estão sempre cheios de mentes vazias. Começamos a perceber que a noite sempre é boa, ruim é acordar se sentindo pela metade; Começamos a perceber que a vida é muito curta para viver pela metade, amar pela metade, com meias pessoas, com meias entradas; que a única metade que nos completa é a nossa outra metade, e não aquela que a gente mistura com bebida e gelo. Ao contrário do que muita gente pensa, os opostos não se atraem, e eu, finalmente, entendi ao pé da letra o que isso quer dizer.