Cataclisma

Ao som de um cavaquinho numa manhã cinzenta surge essa história. Viajar por pesadelos interestelares coletando tampinhas de garrafa e colocando barquinhos no oceano. Dione, Hermes e Dimitrov. Por onde andam estes caminhos escuros que não tem começo nem fim, apenas um rastro de terra que vai sumindo com o sol no horizonte. Nessa floresta a matemática e a física de nada servem, e tudo que você tem é tudo aquilo que você perdeu.

Uma fogueira naquela noite no vazio, o vento tenta apagar as brasas e mandar uma mensagem dizendo que não somos bem vindos ali. Nem eu, que inventei esta história. No coração da natureza o sangue que circula é verde e marrom, cor das folhas e dos troncos das árvores. A floresta é imensa e a mente do homem é tão pequena. Números e mais números se juntam querendo descobrir a verdade absoluta. Criar um objeto ou uma ideia que domine o mundo e torne todos nós vassalos de um seleto grupo de anciões da ciência e do dinheiro.

Aqui não importa se é dia ou noite, ou se trouxestes um mapa com medo de se perder. O essencial é ser e se perder. Seguir o fluxo dos peixes nas correntes. O fim de uma jornada sempre é o começo de outra, mesmo que não seja nossa.

Dione acorda de um pesadelo e o fogo ainda está aceso. A barraca e todos pertences sumiram, incluindo Hermes e Dimitrov. Eram dela, possessiva e dominadora como sempre, ela se vê sozinha ali naquela mata fechada. Os caminhos são tão incertos (e a única certeza é: basta ir); e eles vão por ali, onde não há canoas nem pontos turísticos. Pequenas frutas são apanhadas no caminho e meia dúzia de cervos olham desconfiados para aqueles estranhos.

Em algum lugar do mundo a Segunda guerra mundial ainda não acabou, e em outros lugares não muito distantes a Terceira está apenas começando. Trouxeram tanto conhecimento e notas de cem guardadas em malas, mas não tinham o que fazer com nada daquilo. Trouxeram títulos de doutorado mas não tinham a quem expô-lo.

Cito a floresta, mas podia ser um deserto, uma região coberta por gelo, o interior de um vulcão, ou ainda melhor, uma estrada congestionada, ou um furacão no meio da cidade. As cartas estão nas mesa, quem será o próximo a sumir no Projeto Aqui?

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