Coqueiro

A realidade espeta a sola dos pés. Usar sapatos nem sempre é suficiente. Cada esquina guarda uma masmorra esperando para aprisionar alguém. Em cada rosto uma história, em cada olhar um desejo. Relapso. Andar dez passos a frente e onze passos pra trás. O frio consome o resto de energia que sobra no corpo. Faz frio aqui dentro, e os dias tem passado devagar. Escrever já não é quase tão automático quanto antes, e como uma tocha quase apagando, difícil tentar erguer a chama. A missão cumprida diária já não satisfaz, e o café já não faz mais efeito. A minha mente é um hotel que ninguém visita. O dever me chama, e se a culpa cai sobre mim, uma lobotomia diz que minha consciência está tranquila. O destino mostra escolhas a se tomar, e o caminho a seguir é estreito e sinuoso. Caos. Descontrole. O mundo e a mente em desordem. Monótono. Dia a dia o óbvio fica mais óbvio, e suicídio é tentar entender; que o que eu acho que é bom, nem sempre é tão bom assim. Cada qual na sua loucura, o hospício fica logo ali no fim da rua. Os policiais vagam pelas ruas, fingindo proteger a todos, quando não conseguem proteger a eles mesmos. Cidade grande. Ilusão maior ainda. Rotina cansativa, garrafas cheias de recados vão dentro do barco. Li um deles escrito assim: amar é uma ilha. O que pode parecer o fim é apenas o começo. O universo e seus poderes andam em círculos.

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