Poder

O poder de uma palavra é algo que assusta até a força do silêncio. Colateral. O mundo anda tão complicado, não passamos de agentes temporários sofrendo efeitos colaterais. A violências invade as ruas, não são mais os ladrões que estão atrás da grades. Enquanto o humano só pensar em dinheiro, tudo vai ser feito para omitir a verdade. A verdade é que ninguém gosta de ouvir a verdade. Condenam a mentira, mas deliciam-se com seu poder manipulador, sem perceber. Amor virou fábula, coisa de filme, livro e novela. Contrato social entre dois indivíduos onde um oferece algo que o outro precisa. Às vezes nem isso, simplesmente pelo fato das duas pessoas terem medo de ficarem sozinhas, acabam ficando juntas. Ou pior, pelo dinheiro, pelo tão sonhado status social. Se for para ser assim, eu prefiro ficar só. Mesmo que doa em silêncio e ninguém saiba da minha dor. A minha força se encontra na solidão, ela tem imenso poder e dá olhos de águia. A percepção é uma navalha que corta a pele e sangra suavemente. As mentiras alheias acabam confundindo as nossas verdades. Nossas palavras são objetos de armamento, para serem usadas contra nós quando menos esperamos. Mil acertos, nenhum elogio. Um erro, mil condenações. Assim que a vida é, traiçoeira como uma naja pronta para dar o bote certeiro. Fria como o inverno russo. Quente como o deserto do Saara. Nós nunca sabemos quando estão tramando contra nós, até o momento que tudo aparece límpido, como a água do mar nos paraísos nordestinos. As pessoas acreditam no que querem acreditar, acreditam no que lhes é mais conveniente. Mais vantajoso e menos adverso, quase sempre mais contraditório. Odeio quem rouba meu riso à toa, rouba meu sorriso como um ladrão de almas que some para sempre. Sem dar satisfações e sem dizer adeus. Não é justo alguém tirar o melhor de ti e depois partir. É como se alguém arrancasse o melhor de ti e deixasse o resto, menos conhecido, para trás. O que sobra de mim é só o trapo, a linha sem o tricô e a agulha. O retalho sem colcha. O olhar sem brilho, que vê mas não olha. O mundo gira e tira tudo do lugar. Canso-me de diálogos sem começo nem fim, diálogos que apenas seguem sem seguir uma lógica concreta. Canso-me ainda mais fazer uma pessoa se sentir o foco da atenção, alguém que eu sempre tenho que lançar alguma palavra, senão o silêncio se faz mortal e constante. A gente não devia ser obrigado a correr atrás, mas corremos e sabemos que só assim algumas relações permanecem vivas. Aos trancos e barrancos, porém vivas. É tão raro conhecer alguém que não tenha orgulho de algo que nem existe, que se deleite com a conversa mais fútil do mundo. Num café, num banco de praça, numa sala, na rua, seja lá onde for. Pessoas simples, de alma pura e cristalina. Pessoas que tem o poder de mudar o mundo. Mas tem medo, assim como eu, de que todo esse esforço seja inútil. Porque querendo ou não, ser diferente cansa, mas a vontade de não continuar igual à massa predominante ainda é maior. Porque cansa quebrar a cara com gente que não juntaria um caco por nós. Pois no fim, tudo o que nos resta é a morte. E a morte tem imenso poder, muda a vida sem querer, programando o inevitável para mais cedo ou mais tarde.

”Cansado de coisas que só começam, hoje eu só queria que algo continuasse.”

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