Abismo

“Whoever fights monsters should see to it that in the process he does not become a monster. And when you look into the abyss, the abyss also looks into you.”

 

Nietzsche tinha razão. O cuidado nem sempre é pouco quando se luta com monstros, sejam eles pessoas, atitudes, fatos e o pior de todos os monstros: o pensamento. Dele surgem todas as nossas emoções e insatisfações com o pequeno inferno que nos circunda. Quando passei a adentrar certos territórios psicológicos que não me pertenciam, eu olhei para o abismo e ele também olhou para mim. A vista era bonita ali, num silêncio absoluto e mortal. No menor deslize, eu escorregaria no escuro sem ter nenhum galho para tentar me equilibrar. Dizem que veneno só faz mal se engolir, mas esquecem de mencionar que há venenos que matam só por estar lançados no ar. Não falo de drogas, nem coisas do tipo, falo de fumaça, fábrica, automóvel e mentiras que pairam no ar. Nos pequenos detalhes o pequeno nó que segura a máscara vai afrouxando e a verdade finalmente aparece. Depois de um certo tempo, a gente vai aprendendo as malícias da vida e seus incríveis traquejos. Percebe quem presta e quem não presta só no jeito de falar, principalmente no jeito de agir. Sem nem conviver junto. Tem que saber estar perto mesmo estando longe. Você deve estar me perguntando: como? Deixa para um outro texto. Para mim o certo e o errado nunca existiram, só existem dúvidas e circunstâncias. Porém sei o que para mim faz bem e que não me deixa dúvida alguma. Dizem que a ocasião faz o ladrão. Digo que existe uma tendência a ser feito de bobo o coração. Na primeira é erro dos outros, na segunda é deles também, mas principalmente nosso. Por se deixar levar pelas circunstâncias e desejos profundos , tão quanto um abismo. Tem gente que nasce mesmo do avesso, no avesso fica até o resto dos dias. Tem gente que é cabeça dura mesmo, acreditando que seu mundo de fantasia vai ser sempre real e nunca questionável por ninguém. Com gente assim só existe salvação se houver um milagre. Esse milagre não vem do céu, nem da ciência. O castelo de cartas cai e nunca mais se sabe onde foi o começo. O fim sempre gera um novo começo e vice-versa. Acontecem coisas teoricamente impossíveis, inimagináveis, jamais imaginadas. O milagre acontece. Ninguém sabe o que aconteceu e como aconteceu. O abismo e um monstro vistos de uma outra dimensão. Trauma, cura, abrir os olhos, evitar o inevitável, seja lá o que for. Um milagre só precisa que alguém acredite nele. Vez em quando eles acontecem e ninguém ficou sabendo. Antes de sair para o mundo, já tinha começado dentro de nós. Sem pedir, pensar, nem acreditar. Uma bandeira branca simbolizando a paz, que não é uma escolha e sim uma responsabilidade. O fim do abismo às vezes só muda de lugar para que possa haver um outro. Destino ou circunstâncias ninguém saberia dizer, só temos que estar preparados.

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