Do outro lado da rua

Enquanto o vai e vem se repete nas situações, perguntam-me nomes e endereços. Preferências e caprichos. Do outro lado da rua a vida é mais interessante, mas ninguém me faz companhia. Caminho sempre sozinho no meio dos carros e ônibus, e ninguém consegue me ver. O vento bate forte no rosto, e não há ninguém além de mim ali. As luzes do semáforo mudam do verde para o amarelo, e depois para o vermelho. Nesse instante, o caos volta ao normal e alguém finalmente me vê. Olha de relance, buscando respostas para o que eu tento descrever. A resposta é que não há respostas, principalmente quando não se sabe mais qual é a pergunta. Um órgão pulsante apodrece no aquário, conforme o oxigênio vai se esgotando no interior do vidro e o sangue cansado deixa de correr. No meio de passos descompassados, de vez em quando as pessoas falam, mas não se comunicam. Olham-se, mas nunca veem umas às outras. Dizem, sem ter algo a dizer. Escutam, mas raramente compreendem. Concordam, sem entender. Julgam-se, sem conhecer. Despedem-se, sem dizer adeus. Do outro lado da rua, a vida parece ser mais interessante. Vista daqui.

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