Deserto

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

 

 

 

 

Almas não passam de oásis no deserto. Viajantes e andarilhos trafegam sob o sol escaldante, vendendo tecidos, tapetes e especiarias. Cansam de caminhar exaustivamente e param à noite, quando a temperatura fica abaixo de zero e os ventos sopram gélidos. Durante o dia, tempestades de areia, escorpiões, cactos e pequenos insetos aparecem ocasionalmente. Os olhos tardam a ver, quase cegam com o brilho do dia. De repente a visão dos vendedores fica embaçada, uma árvore é avistada e todos se apressam. Seguindo a imagem difusa eles vão em direção à suposta água. Ao chegar lá, uma caravana já estava bebendo da água preciosa. Um cigano se adianta e perguntam quem são os vendedores sedentos e o que procuram em terras tão distantes. O líder dos andarilhos calmamente diz que eles são comerciantes e que nada querem além de um pouco de água para seguirem viagem. Uma mulher misteriosa sai de uma das tendas e revela ao cigano que eles não são apenas comerciantes, e sim sequestradores de almas. O cigano, totalmente surpreso avisa ao resto que eles podem ser mortos e um verdadeiro massacre começa. Logo sacam as espadas e matam uns aos outros, menos uma moça que estava num camelo diferente dos outros. Assustada com o derramamento de sangue, a moça pergunta porque não foi morta como todos seus parceiros do deserto. A outra moça encapuzada logo diz: porque estamos num deserto de almas, e eu logo reconheci a tua alma. O amor emana em ti, diferente dos seus amigos mercenários que só queriam roubar a nossa água e nossas riquezas. A moça montada no camelo, mais assustada ainda, desce do animal e pergunta: mas eu sempre pensei que o amor fosse sinônimo de sofrimento, por que você estão poupando a minha vida, afinal? Porque o amor é um oásis no deserto, juntamente com outras almas, e às vezes em vez de fuga ele se transforma em salvação; junte-se conosco, de todos os desertos, esse é o maior que existe. A moça, sem entender, fez um carinho no camelo, e seguiu o grupo sem entender nada. Um dia ela entenderá.

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