Retrospectiva 2013

Superstição ou não, os anos ímpares não costumam me trazer muita sorte. E é claro que esse ano não seria diferente.

Eu ia fazer essa retrospectiva mais para o fim do ano, mas, como estou de porre pós abstinência alcoólica de dois meses, achei que seria propício, e mais interessante, fazê-la já.

Vamos aos fatos: vi ídolos, familiares e pessoas que admiro morrerem. Não pude ir ao enterro do meu padrinho. Não fui pra Porto Alegre no niver da Sis. Prometi que iria, mas não pude ir. Não consegui realizar esse sonho. Fui pra São Paulo duas vezes e não consegui ver nenhuma das pessoas que eu gostaria de ver. Não fui o filho que eu gostaria de ser, muito menos o neto. Não fiz as viagens missionárias que gostaria de fazer. Perdi o amor da minha vida, tendo que vê-la de segunda à sexta, toda semana. Perdi amizades que eram essenciais e vitais, tudo por culpa minha. Passei madrugadas e mais madrugadas acordado, pensando na vida e em tudo que me trouxe até aqui. Aproveitei a vida também, ao extremo, enquanto ela tinha graça de ser aproveitada.

Algumas coisas simplesmente perderam a graça, e não sei o que é necessário fazer para que volte a ter.

Melhorei consideravelmente como escritor, sendo esse ano o mais produtivo de todos, em questão de produção literária. Nunca escrevi tanto, e com tanta qualidade. Conheci pessoas incríveis, outras nem tanto, algumas pelos caminhos, outras pelas andanças. Desconheci outras. Criei vínculos, uns fortíssimos, outros nem tanto. Criação. 

A gravidade pesou mais forte nos meus ombros esse ano. Eu pensei em desistir de tudo, e nunca mais voltar. Mas busquei forças sabe-se lá onde e fui além, e resisti a tudo. ”Um guerreiro de fé nunca gela, não agrada ao injusto e não amarela.” Cá estou. Esse ano aprendi demais com a vida e ela aprendeu demais comigo também. Desistir? Jamais. Mesmo que tudo conspire contra mim.

Teve muita coisa boa também, teve muito beijo, muito sorriso, muito abraço, muito chamego, muito amasso, muito colo, muito carinho, muita parceria, muita viagem, muito evento, muito jantar, muita festa, muito churrasco, muita comida boa (sem trocadilhos, por favor), muita emoção, e acima de tudo, muito frio na barriga. Ah, e muito táxi. Acho que esse ano poderia ser chamado de ‘O ano do táxi’, nunca andei tanto nos laranjinhas.

Tudo que é demais sufoca, perturba, vira moda. E a moda passa, acaba.

Cresci como pessoa, intelectualmente, mentalmente, profissionalmente, e espiritualmente. Deixei a barba crescer, fiz tatuagens, coloquei mais piercings, (nunca tive tantos, mas agora já tirei alguns). Arrumei meu primeiro emprego (só arrumei). Aprendi a pedir perdão e perdoar, agradecer mais do que reclamar, viver mais do que sonhar. Entender que, algumas coisas eu só posso aceitar, não adianta eu tentar mudar. Enfim, vivi, sem medo de errar, e errei muito.

“Acho que prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas frágeis, do que uma vida gasta evitando a dívida moral. {…} E me perguntei a que me referia com ‘coisas frágeis’. Parecia um belo título para um livro de contos. Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também”. (Coisas Frágeis – Neil Gaiman)

Não sei se vocês algum dia já perceberam, mas, Neil Gaiman é como se fosse um tutor para mim, e ‘coisas frágeis’, é uma das categorias de texto do meu blog. Acho que não preciso explicar por quê.

Basicamente, foi isso que me veio à cabeça para escrever na retrospectiva. Se ficou boa ou ruim, não saberia dizer, mas ficou real e sincera, e era esse o meu objetivo.

PS: Hoje, exatamente um ano atrás, eu me instalei aqui em Curitiba. Por quanto tempo eu vou ficar aqui? Mantenho a dúvida.

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