Status Quo

Difícil permanecer num lugar que não lhe encanta mais, sem ter outro lugar pra ir. Difícil continuar num curso que não tem nada a ver contigo. Estar ali toda manhã passou a ser uma mera obrigação, e um respeito a todo dinheiro que já foi investido nesse cidadão quem. Difícil prosseguir sem ter um incentivo, uma perspectiva de um futuro bom, de um algo melhor. A Literatura nacional tem me salvado nesses  dias quentes de fim de inverno, e na segunda já volta o frio e a chuva. Minha alegria consiste em ver o nascer do sol enquanto desço a avenida, em ver a cobertura do prédio à minha esquerda quando estou olhando para o céu azul com poucas nuvens. Este lugar é cheio de pessoas vazias, cujas conversas não me interessam e não me acrescentam nada. Elas (pessoas) estão vivendo agora o que eu sempre vivi desde mais jovem, as orgias, o frenesi, as putarias e as mesas de bar. Conversas demais, falam falam o tempo todo mas não tem nada a dizer, como diria Chorão. Isso perdeu um pouco o valor para mim, aliás, é tanta coisa que perdi, que já não sei mais o valor de nada. AC/DC e cerveja num sábado à noite, logo comigo, que ultimamente nem suco tenho tomado e só tento ouvir Regina Spektor. Resultado: sem resultados. Estudei um texto de Psicologia do trabalho para a apresentação de um seminário, e tudo está certo, por hora. No fundo do meu ser tem algo que me incomoda, que me perturba, que não me tira mais o sono como outrora, mas que me doi de vez em quando, sempre. Já faz mais de dois meses que não tenho qualquer tipo de contato com a mulher que mais amei na vida (e ainda amo), e ela era a minha vida. Penso nela todos os dias desde então, antes de dormir, durante o dia e na hora de acordar. Relembro momentos, histórias, vivências que tivemos; às vezes consigo vê-la por relance, mas os olhos não se fitam mais. Afastei-me por preservação a mim, e por amor demais a ela, que está presente nas minhas orações sempre. Tudo isso não é suficiente para tê-la de volta, e nada que eu diga, ou faça, vai fazê-la voltar. Seguir em frente não significa esquecer, e eu sempre me lembro de tudo. Como se fosse simples, como se fosse fácil, virar a página, queimar o livro, excluir do facebook, fingir que não existiu, que não aconteceu. É foda conhecer infinitas garotas, e nenhuma ter o abraço dela, muito menos o olhar, quem dirá o colo numa tarde fria, numa tarde de sol; a parceria, o afeto, as birras, as brigas sempre seguidas de risadas, a amizade, o amor de melhor amiga que eu confundi com algo a mais. Tudo. Eu queria voltar no tempo, mas tropeço nos ponteiros de um relógio digital. Queria poder ser capaz de consertar algo insubstituível, irreparável. Queria saber o que fazer numa noite como essa (em dias e tardes também), em que eu costumava largar tudo que eu estava fazendo, só para vê-la, em qualquer lugar que ela me chamasse. Para fazermos algum trabalho fútil para a faculdade, para estudarmos uma Matemática estranha, para almoçarmos juntos, para caminharmos abraçados num centro chuvoso, para levá-la até o ponto de ônibus, para esperá-la no jardim da faculdade e irmos para o espanhol,  para sentarmos na arquibancada e ela afagar os meus cabelos, para passarmos a tarde toda conversando sobre coisas inúteis, para ela repousar e dormir no meu ombro, para ela abrir a minha mente, para ela me ajudar a fazer as malas, para ela chorar comigo quando nos despedimos antes das férias, para ela rir comigo, para eu ver os olhos dela brilharem, para ela ouvir as minhas aventuras diurnas, vespertinas e noturnas e me chamar de péssimo, para jogarmos conversa fora com nossos amigos numa mesa de barzinho, para esperá-la ficar linda se arrumando frente ao espelho daqui de casa para irmos pra balada. Queria saber como esquecer de tudo isso que não se esquece mais. Queria saber o que fazer, quando percebo que ela nunca mais esteve aqui.

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