Jardim

Neste jardim, no meio da selva de pedra, acontecem os ensaios, ensaios de um passado que ainda não aconteceu. Cheio de bancos de madeira e guarda sóis amarelos, as pessoas vem aqui para conversar, para namorar, para descansar; já eu, venho aqui para encontrar a paz na natureza. Os pássaros marrons cantam e o vento sopra no topo das árvores, o mesmo vento que espalha um som mágico por frações de ar que ninguém é capaz de ouvir. O cheiro de terra úmida e de vegetação é um refúgio que aqui encontro, aqui as pessoas olham e não veem, falam e não se comunicam, escutam mas não compreendem. O silêncio faz moradia no meio das folhas, até que aviões passam fazendo imenso barulho com enormes turbinas. Nada abala a verdadeira fé e ninguém tira a paz de um guerreiro que sobrevive a uma guerra. O tempo passa devagar aqui, como uma ampulheta com areia úmida em seu anterior. Daqui eu vejo galáxias, universos distantes e buracos negros. Vejo você que não vejo mais, vejo um futuro que já aconteceu, e um presente que relembra memórias. Um futuro que será brilhante como o sol após uma semana de nuvens. Já é setembro, mas o horizonte continua cinza visto daqui, desde abril faz frio, com raríssimos dias mais amenos. Todos tem um jardim, se não é de flores, é de ideias, de pensamentos. Este é o meu.

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