Propósito

Às vezes a vida nos põe para pensar:  pra onde vamos? De onde viemos e o que nós somos? Qual o nosso papel? Reciclável.  Como a duração de um ano, 365 dias e 8 horas, que após o quarto é bissexto por um ano, e depois tudo volta ao normal, assim sucessivamente. Nascemos sem pedir, e também morremos sem pedir. Porém, nos é dado um intervalo, uma vida toda, a maior dádiva que um ser vivo pode receber. Porém, nem sempre é uma dádiva estar vivo. Sorte de quem nasceu num mar de rosas, pois na sociedade atual são raros os exemplos de quem se dá bem, vindo de uma classe menos favorecida. Há fome, pobreza, miséria, falta de ensino, corrupção, desvio de dinheiro, sonegação e infinitas outras formas de filha da putisse que não cabem ser citadas aquii. Depois vem me dizer que o Brasil está indo pra frente. Pergunta para o morador de rua se está mesmo, pergunta para um morador da favela. Pela mesma avenida que passa uma Ferrari conversível, jovens fazem malabarismos no sinal, com o pai atrás do muro, espiando um trocado que vai ser convertido em droga, ou numa migalha de pão. Tudo isso enquanto no senado, inventam mais uma ementa na lei para burlar a nossa própria Constituição Federal. Está tudo errado, do avesso. Não é para ser assim, mas assim o é. E a tendência é só piorar. As pessoas confundem pessimismo com realismo. As pessoas perderam a noção dos limites das coisas. Mas o que se pode esperar de um país onde dançar ‘funk’ é bonito e onde as coisas só começam a ‘funcionar’ depois do carnaval? Eu também não sei. Perguntam-me sobre política, sexo, religião, se foi Deus que criou o mundo, digo que cada um cria e vive o universo que bem imaginar. No universo que eu criei as pessoas são felizes e reina a paz, e ninguém morre de inanição, nem se mata e morre por amor. Utopia da minha mente, mas sonhar é de graça. Pelo menos quando sonho ainda há esperança. Nascemos, crescemos, mudamos, aprendemos, viramos adultos, envelhecemos e falecemos, num piscar de olhos. Tem gente que vive a vida, tem gente que vê a vida passar, sem poder fazer nada. Introduziram-nos aos sentimentos, e fazemos mal uso deles.  Dos erros surgem os acertos. Muitos erros. Talvez o propósito da vida se resuma em ser bem sucedido, ter um rosto bonito na tv, ou um corpo padrão de beleza na capa da revista ou no cartaz do filme. Talvez seja conhecer milhares de pessoas, e no meio de vários milhares, encontrar alguém cuja loucura se pareça um pouco a sua. Talvez seja orgulhar nossos pais, talvez seja orgulhar a nós mesmos. Talvez seja adquirir bens materias, bens que, quando morrermos, não irão conosco para o caixão, mas adquirimos tais bens mesmo assim. Talvez seja perceber que a beleza está in, e não out. Talvez o propósito da vida seja ver a beleza das coisas no meio de tanta merda, de tantos jogos manipulativos e hipocrisia. Talvez seja tentar passar uma mensagem ao mundo que ninguém irá entender ou ouvir, mas que para ti, que passa, faça todo sentido. E que essa mensagem seja capaz de mudar a vida de alguém para sempre. Mesmo que esse alguém tenha os olhos fechados para ver a verdade do mundo. Mesmo que o para sempre tenha a duração apenas de uma vida, eu insisto em tentar fazer a diferença, mesmo que custe a minha vida. Insisto, de propósito.

O que você faz de propósito com um propósito?

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