Concreto

Algo que não começou não tem chances de chegar ao fim, muita abstração e pouco concreto. Às vezes queremos construir um sentimento e tudo que criamos não passa de uma parede, que não permite a visão do outro lado, intransponível. Acho que essa é a definição mais produtiva que me vem a mente nos últimos tempos. Foi isso que criei, um sentimento que eu queria ter mas que não sentia, de fato. Juntei um pouco dos acasos, um pouco dos gostos em comum, um pouco do que eu achava necessário pra arrancar um sorriso seu. Consegui. Até eu sorrio, mais quando estou triste do que feliz, estranho ou ocasional. Creio que seja simplesmente estranho. Pra ti, dei-lhe o meu amor pra guardar no músculo central levemente curvado pro lado esquerdo, o coração. Fizestes dele mero brinquedo, brincou, brincou, brincou e brincou, até enjoar. Então satisfeita com o que lhe tinha oferecido, dissestes que não podias sentir mais o mesmo. Às vezes me pergunto se vou ser feliz outra vez, se já fui feliz alguma vez, se algum dia descobrirei o que é um amor verdadeiro, algo que não exista só na minha mente, na minha vontade de descobrir o que ele significa. Algo que vá além da minha falta de você existindo dentro de mim, e dos lugares que nós visitamos. Algo que vá além de dois seres que se amam. Aonde está o amor verdadeiro, senão aqui, dentro de mim? Acho que nunca saberei, enquanto isso vou me perdendo nos labirintos entre o abstrato e o concreto.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s