Cold Skin

Janela e porta fechadas, chuvisco e achocolotado. Ele havia mentido para conseguir o que queria, conseguiu; mas depois se deu conta que não era disso que precisava de fato. O efeito inexplicável que uma foto tem, especialmente quando se trata de uma pessoa que se amou tanto no passado; e agora ela tem outra, ama a outra. Num amor mais puro que se pode ter. Olhos verdes, barba e alargadores. Pele branca, fria e com cabelos escuros. A lembrança que me vem a mente é de horas e horas conversando ao telefone, uma voz doce que dizia tudo que eu precisava ouvir, a distância, sempre a distância, não sei porque ela existe, deveras. Num piso de madeira, você ali sentada, matando as horas do trabalho, pra ouvir a minha voz, as nossas vozes diziam tudo que precisávamos ouvir. Tudo era bonito e sincero, por uma leve fração de meses, parecia que ia dar certo, viagens, proximidade, mas nunca contato físico, um amor sublime como a brisa da manhã; que terminou abruptamente numa outra manhã, nublada, cinzenta demais, fria, e chuvosa. De repente o meu muro de rigidez despencou, o mundo despencou. Não sabia o que fazer pra trazê-la de volta, nunca traria, mas a mente otimista faria o possível para realizar os pedidos do órgão pulsátil e bobo. Mais de dois anos depois, a imagem que vem a tona, a moça da pele clara e fria, acompanhada de seu amante, combinam-se como o arco íris após a chuva. Perdi o sono, fiquei acordado a noite toda pensando como isso podia ter acontecido, de alguma forma doeu como se ainda fosse real, como que se o que tinha ainda fosse real e verdadeiro. Num mudar de páginas a realidade dói e fere, já não tenho mais você e nem o brilho que costumávamos ter. Agora você brilha, perfeita sob a luz do dia, mais ainda sob a luz da noite. Amor antes de tudo é libertação. Deixei-te livre pra seguir o seu caminho e você seguiu, serva obediente do nosso amor que um dia era chama acesa, fogueira de sentimentos. As minhas mãos estão frias, assim como meus pés. A vida sempre me foi muito confusa, muito além de formulas matemáticas que nunca entendi, muito além de sentimentos que não recebi. Confusa, pelo simples fato de mudar a trajetória das coisas num piscar de olhos. Num raiar ou pôr do sol, põe-se tudo a perder. Nos perdemos. Eu, mais que nós, me perdi mais ainda.

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