Como eu festejei o fim do mundo

A correnteza dos mares do pacífico sul passou pela cabana das ideias perdidas, levando consigo todas anotações feitas naqueles livros de páginas amareladas. Era quase meio dia quando o gato cinza espreguiçou-se e miou pela enésima vez na frente da lareira. Jazia ali, na escrivaninha, uma garrafa de whisky russo, vazia, contente. Eleanor Lovecraft chegara a pouco da rua que não tem nome, havia desfrutado excelentemente bem dos prazeres mundanos na noite anterior, com uma de suas seis parceiras, Kristine. Esqueceu seu cachecol de raposa vermelha na sala de estar, mas isso não tinha importância agora, pois tinha furtado a chave prateada que abria os portões para a outra dimensão. Liberaria assim, todos os males trancafiados no submundo. Serafins, querubins e anjos estavam no meio de uma guerra civil no céu, onde o superior de todos eles estava indiferente e parecia se divertir com tantas almas perdidas na batalha. Um dos anjos tinha aliado-se ao rei do inferno, para coletar almas e encontrar o local do purgatório.

”Deixe sangrar, não há saída, temos um novo hóspede, coletar tantas almas poderia acabar com o mundo, além da vida, deram sangue de demônio para Eleanor ainda quando ela era criança. ”

Tudo isso disse a moça que brincava com sua maquete de 4 dimensões, enquanto contava uma história para sua filha ninar, adicionava enredo e melodia ao livro que posteriormente teria o título de : O livro dos mortos, vide efemeridade dos tempos.

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