Palavras que sangram no papel

Era uma noite abafada e nunca se sentira assim, em toda sua vida, tão solitário, tão vazio.
Sente-se como o último grão de areia num deserto sem fim, onde nem as tempestades habitam mais.
Inútil, descartável, o último suspiro de um cadáver em decomposição.
O céu pode estar azul, e o sorriso mais bonito do local dizer olá, sua alma faz-se noite.
E o seu coração não é de pedra, é do mais frágil material, que se quebra em vários pedaços quando se abre para um novo romance. Quebra-cabeça com milhões de peças perdidas no espaço, e intermitentemente, um masoquismo musical, velho conhecido, aparece logo quando chamado, pontual.
Agonia por dentro, como se uma furadeira gigante trincasse cada segmento.
Olho fotos e me sinto dilacerado, exterminado, um assassino nos detalhes.
Criador, autor, ator, diretor de arte, de minha própria destruição.
Monstro não seria a definição mais exata, tornei-me algo mais sombrio, frio e silencioso.
Uma tragada de cigarro, uma virada no copo de bebida, são imprestáveis.
O desejo de sumir sem deixar rastros me visita toda noite, invade meus sonhos, me acorda atentado.
Minha hora vai chegar, há de chegar, o destino é cruel, só sei do pior, o que há de melhor ainda não se mostrou.
O amor está assistindo alguém morrer, aos poucos, e eu não quero que ninguém me veja padecer, não assim.
Não há sorrisos naquela sala de espera, somente pequenas preces aos mais variados deuses implorando pra que o pesadelo termine o mais rápido possível. E eu acho que já suportei muito, e por muito tempo.
Vejo meus batimentos enfraquecendo no monitor, enquanto cada segundo leva meus amores pra longe de mim.
Entre todos os livros, de suspense e ação há universos que ninguém pode ver, somente imaginar.
Aqui nessa cidade vazia, nesse mundo vazio, onde nós só dizemos adeus.
E foram deslizes, que tornaram memórias dependentes de uma filmadora defeituosa em todas as mentes.
Verdades que eu preferiria perder, do que nunca tê-las tido ao meu lado.
Eu olho para o chão, e vejo formigas entretidas com um minúsculo grão de folha, estão felizes assim.
É claro que eu poderia ser feliz, mas eu não fico feliz vendo tantas pessoas partirem.
E todas coisas que eu não pretendia dizer, são tocadas como um gothic rock pesado em minha mente.
Sempre tarde demais pra lembrar como era, mas é fácil esquecer quem tem memória.
E eu tenho um coração que parece usurpar a razão e lembrar dos fatos tão bem.

Tóxico, letal, sem avisos.

Está dado o veredicto, aguardo decisões finais do júri.

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