Lembranças de um futuro que nunca seria meu

Foi conhecida por meio de amigos e amigas, e logo surgiu a atração. Começou com aulas cabuladas, colégio e teatro. Sob árvores enormes. Os carros passavam na rua, enquanto pianos, flautas e um iPod tocavam. Horas e horas ali naquele banco de pedra, um ano perdido na escola. Andanças pelos mais diversos lugares, alguns banhos de chuva. Não tardou a aparecerem os textos e as peças. Todas eram assistidas. Por parte dela foi feito um desenho. Era uma paisagem muito bonita, cheia de letras de música que gostavam de ouvir ali naquele banco particular. Pessoas próximas diziam que não daria nada certo, dois aquarianos tentando quebrar a vidraça das semelhanças. Teimosia de ambas as partes, insistiram no erro. As amigas dela merecem destaque, mas não agora, não aqui. Eram a rosa e o espinho, céu e nuvens, toda e qualquer combinação do gênero. Lindas atuações nas peças, despedidas no camarim. A maquiagem ainda estava viva, mal sabia o que estava por trás daquele blush, e da base facial. Despedidas sem fim, horas no telefone. As festas sempre aconteciam, e o comportamento de ambos não era o mesmo. Agiam como se fossem estranhos, trocavam poucos olhares e palavras. Logo discutiram, muitas outras discussões estariam por vir… Relações de posse, dominação, e poder.

A voz que era mel, se tornou amarga. Os olhares que eram de ternura, se tornaram olhares de culpa. Os passeios pela cidade continuaram acontecendo, com a adição de uma nova integrante, que dava um ar diferente àquela atmosfera pesada.  Certo dia, houve a hora da verdade, palavras sairam como tiros, ambos foram atingidos e feridos. Ainda existem as cicatrizes. É fácil perceber pelo olhar. As visitam tornaram-se raras, os olhares já não eram mais os mesmos, nem os sorrisos, nem nem as palavras, nem nada. A última peça foi assistida. Atuação memorável, deve-se admitir. E também houve a última festa, aquela blusa cinza, aquele lenço preso ao pescoço e um coque perfeitamente ajustado, lápis preto nos olhos. O conjunto deixou-a ainda mais sombria. Várias trocas de olhares, vários incentivos de amigos e amigas para que houvesse uma reabilitação. Não houve.

Ainda é vista algumas vezes, e o que mais impressiona não é a separação, é o olhar que diz : ‘Me desculpe’, todas as vezes em que é avistada. O olhar do lado de cá retribui com : ‘Não diga nada, já se foi’. Nos braços de um outro romance, nos olhos de um outro alguém. Ela não foi mais dele, e ele não foi mais dela. Será que um dia realmente pertenceram um ao outro?

Não houve o amanhã, e a resposta ainda paira no ar.

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