Espelho da alma : Vide olhos castanhos

Faz um frio anormal em pleno verão, a garota dos cabelos castanhos escreve a sua rotina em seu pequeno diário de capa dourada. Ela ainda não escolheu o post script do fim do dia, ela tem medo do que pode acontecer, se o sentimento for levado com a brisa, ou uma tempestade qualquer. Ela se questiona, está inquieta, indecisa, confusa, não sabe qual é a medida certa a se tomar, ela olha pro céu escuro de cidade grande, e faz uma prece antes que a chuva caia. Antes que o trovão seja atraído por um objeto metálico qualquer,  ela volta para seu aposento, deita em sua cama macia e confortável, cobre-se com a mantinha de lã que sua avó lhe fez, pensa em ligar o celular, mas o receio é tão grande que ela prefere desligá-lo e começa a chorar. Chora tanto, que os olhos secam depois de tantas lágrimas. Ela se recupera, e pergunta a si mesma o que poderia ter sido feito para que seu dia fosse melhor. Nada, águas passadas. As lágrimas já escorreram pelo seu rosto. Ela abre a janela, um vento fortíssimo balança seus cabelos, que com o escurecer do dia torna-se cinza, quase preto. Ela abre os braços e espera a chuva cair em seu rosto, lavar a sua alma, eliminar toda e qualquer vibe negativa que interferisse no seu ego divino.

Todos diziam a ela que ficaria resfriada se tomasse um banho de chuva, mas no momento ela não está preocupada com nada, desfruta o momento, põe a mão no coração, e ouve as batidas. Agradece por estar viva, mas pergunta a si mesma se tudo que está acontecendo faz sentido, ela não chegou em lugar algum. A chuva continuou forte, a menina de cabelos castanhos entrou em casa, hesitou em pegar o celular mais uma vez e desligá-lo. Já havia sofrido muito, e não queria sofrer por amor outra vez. Contudo, ela queria se apaixonar outra vez, precisava de um carinho, um ombro amigo pra repousar, precisava de conselhos, precisava de alguém que ouvisse suas mágoas, seu choro vazio, seu coração batendo rapidamente, alguém que olhasse nos olhos e com o olhar tudo dissesse. Ela também precisava de uma mão junto a dela, que segurasse todo o peso do mundo, e ao mesmo tempo conduzisse e fosse luz a todos caminhos obscuros que a vida contém. Ela precisava amar, precisava de um amor. Deitou no sofá da sala e se perdeu no caminho dos sonhos. Ela é amor.

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